Título

A vida cotidiana no movimento das águas pantaneiras

Programa Pós-graduação
Psicologia Social
Nome do(a) autor(a)
George Moraes Luiz
Nome do(a) orientador(a)
Mary Jane Paris Spink
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2015
Dependência Administrativa
Privada
Resumo

O foco desta pesquisa é a convivência da população pantaneira com o ciclo de cheia nos pantanais mato-grossenses da região rural dos municípios de Barão de Melgaço, Poconé e Nossa Senhora do Livramento. Elegemos o ciclo das águas como fio condutor deste trabalho por ele ditar o ritmo de todas as formas de vida no Pantanal. Para sustentar nossa discussão, adotamos uma postura interdisciplinar, o que permite aproximações teórico-metodológicas com diferentes áreas das ciências sociais e humanas, notadamente os pressupostos teórico epistemológicos da teoria ator-rede, o que permitiu compreender os pantanais como redes heterogêneas, em diálogo com autores da educação ambiental. Demo-nos a tarefa de escrever uma tese cujo estilo e conteúdo questionam os 'cânones' da academia, abrindo-nos, assim, para reflexões sobre novas formas de fazer pesquisa social. Nesse desafio, demos tons poéticos ao texto, valorizando o saber tradicional pantaneiro sem abrir mão do conhecimento científico. Esta tese resulta das experiências vivenciadas pelo pesquisador enquanto morador da região pantaneira de Poconé, assim como da convivência e de conversas formais e informais com 42 pessoas ligadas diretamente às atividades nos pantanais, com destaque para os(as) pantaneiros(as) e ribeirinhos(as). Ancorados nas noções de conversas no cotidiano, com roteiro semiestruturado e anotações de diário de campo, sistematizamos as informações por meio de leituras flutuantes, gerando temas que compuseram o corpus da tese em forma de narrativas descritivas. O enfoque de nossa análise está na maneira como os povos tradicionais preveem, se preparam e convivem com o ciclo de cheias, privilegiando a associação entre humanos e não humanos como possibilidade de sobrevivência em um território de inundação. A convivência das pessoas com as cheias está descrita a partir de três temas: os partos, as moradias e os meios de transportes. Comumente, esse modo de vida que se atrela aos elementos da natureza é descrito pela literatura clássica como cultura e tradição pantaneira. Entretanto, sinalizamos aqui que novos atores, como a construção de diques, estradas-parque, aterros e usinas, interferem nos pantanais, alterando o ciclo de cheias. Considerando esse pressuposto, apontamos a inviabilidade de compreender os modos de vida pantaneiros de forma cristalizada, argumentando a favor da processualidade das relações entre os povos pantaneiros com a natureza, e repensando a própria noção do que vêm a ser os pantanais após constantes intervenções socioambientais.


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