Título
Saberes locais e escola: entre olhares, diálogos e encantos
Os saberes populares, dos pescadores artesanais, são ricos e dinâmicos, compondo um modo de vida diferenciado mediante relações muito peculiares com o ambiente natural. Na região de Imaruí/SC, ao longo dos anos, o pescador artesanal foi sendo colocado à margem das políticas públicas, principalmente no âmbito econômico e cultural, sendo que a escola pode se destacar enquanto local de possível perpetuação e disseminação dos saberes populares ligados à identidade cultural destas comunidades. Ao longo de seis meses, foram realizados diagnósticos e um processo interventivo construtivo, junto a alunos, professores e gestores da Escola de Educação Básica Eulina Heleodoro Barreto, com o objetivo de instigar processos sensibilizadores, junto à comunidade escolar, para a valorização dos saberes populares relacionados à pesca artesanal, com vistas a estimular a contextualização de tais saberes ao processo educativo. Utilizou-se de um hibridismo metodológico envolvendo pesquisa ação participante, etnoecologia e estudo do meio, ancorados na fenomenologia, direcionando as ações que foram realizadas ao longo dos diagnósticos e dos seis encontros interventivos construtivos. Além da sensibilização para com a importância dos saberes relacionados à pesca artesanal, ocorreram discussões muito mais amplas, principalmente aquelas relacionadas ao reconhecimento dos participantes enquanto sujeitos pertencentes à suas comunidades, aos conceitos de cultura e cultura local, bem como a questões relativas à reflexão crítica sobre o ser e sobre o mundo, no âmbito da responsabilidade e do cuidado. Porém, devido a vários fatores, os professores e gestores participaram esporadicamente dos encontros, portanto, a incorporação ao processo educativo dos saberes relacionados à pesca não ocorreu de maneira satisfatória. No entanto, foram utilizadas diversas estratégias/táticas interventivas construtivas que promoveram a discussão e a sensibilização para a valorização da pesca artesanal no ambiente escolar. Portanto, recomendamos que, para uma maior sensibilização de toda a comunidade escolar, incidindo assim sobre a efetiva incorporação de tais saberes locais ao processo educativo, ocorra uma ação formativa de maior duração, junto aos professores e gestores, adequada as condições de trabalho destes sujeitos (atores), favorecendo desse modo um maior envolvimento de toda a escola.