Título

Processos educativos no assentamento Terra Vista: desconstrução e reconstrução de sociabilidade

Programa Pós-graduação
Educação e contemporaneidade
Nome do(a) autor(a)
Rosana Mara Chaves Rodrigues
Nome do(a) orientador(a)
Antonio Dias Nascimento
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2014
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

A tese em questão reflete sobre como ocorre o processo de desconstrução e (re)construção de sociabilidades entres sujeitos oriundos de diversas origens, quando se deparam com os desafios de negociar o trazido e o encontrado no âmbito de um processo educativo no interior do Assentamento Terra Vista, ligado ao MST. Objetiva compreender o sentido dos conflitos existentes no espaço de assentamentos e as estratégias de luta pela terra nos processos de formação e organização em assentamentos rurais, bem como os desdobramentos entre o espaço concebido e o espaço vivido no cotidiano dos assentados. Entende-se que o assentamento é um espaço que expressa relações de tensões e conflitos, mas é também produtor de sociabilidades no cruzamento dos saberes tecidos na trajetória de vida dos assentados, fora dos movimentos, e aqueles forjados no processo de luta nos movimentos sociais. Nesse cruzamento, verifica-se a existência de contradições internas traduzidas em conflitos e ações de resistências face ao concebido, ao vivido e ao negociado. Os dados de campo foram apreendidos através de entrevistas semiestruturadas, convivência com assentados, permanência no espaço de assentamento, rodas de conversas formais e informais. O suporte teórico - metodológico da pesquisa inspira-se nos estudos de José de Souza Martins (1981, 1996, 2003, 2008); nas contribuições de Henri Lefebvre (1974 e 1980) Georg Simmel ( 1983 e 1986), Michel de Certeau (1994), Freire (1987), Gramsci (1981) dentre outros. O assentamento constitui-se em um espaço de luta e tensões a exigir outras chaves teóricas capazes de considerar as formas heterogenias e os arranjos sociais que ali se expressam, de modo a aguçar o olhar do pesquisador para capturar as dinâmicas que vão sendo forjadas no impulso que os assentados encontram para o seu viver e o da sua família, de modo a negar a vida como dada, mas como construção. Neste sentido, o cotidiano de um assentamento é um espaço expressivo de manifestação das mesmas mazelas encontradas na estrutura social mais ampla, mas repleto de ações criativas, de retroalimentação dos sonhos concebidos e das realizações vividas. Conclui-se que os assentados imersos em uma permanente tensão entre o trazido e o negociado e mediados por processos educativos escolares e não escolares, mediados pelo MST, desconstroem e reconstroem novas sociabilidades.


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Contexto Educacional