Título
Percepção ambiental e turismo sustentável: análise dos impactos da atividade turística em zonas costeiras da Grande João Pessoa - PB
Apesar do caráter positivo promovido pela atividade turística, desenvolvendo regiões e gerando emprego e renda, quando não bem planejada, ela traz consigo também efeitos negativos, nos aspectos sociais, e, sobretudo, nos ambientais. Quando praticado em ecossistemas frágeis como áreas costeiras, o potencial de degradação do turismo pode ser ainda maior, caso não haja o devido manejo e gestão da atividade. Dessa forma, o viés da sustentabilidade surge como uma alternativa essencial na prática da atividade, uma vez que possibilita o uso dos recursos naturais para fins de lazer de forma consciente, garantindo sua perpetuação por longos anos. Os estudos de percepção e o uso de ferramentas como a educação ambiental são importantes para avaliar o perfil daqueles que lidam com o turismo, pois pode-se conhecer seus comportamentos e valores acerca das questões ambientais e, também, tentar sensibilizá-los quanto à importância da conservação de áreas e ambientes utilizados. Neste contexto, o presente estudo buscou analisar a percepção ambiental de quatro grupos ligados a atividade (turistas, moradores, empresas/profissionais e órgãos) praticada em três zonas costeiras da grande João Pessoa: praia do Jacaré, Areia Vermelha e Picãozinho. Além de avaliar algumas práticas ambientais dos mesmos, identificaram-se também os principais impactos ambientais que ocorrem nestes espaços em decorrência do turismo, segundo o julgamento e opinião dos próprios entrevistados. O objetivo foi o de apontar medidas e sugestões, baseadas em ferramentas de educação e sensibilização ambiental, que auxiliem no planejamento e gestão sustentável da atividade turística, conservando os recursos naturais destas áreas exploradas. A pesquisa foi realizada no período entre Janeiro e Maio de 2013, atingindo um total de 491 pessoas. De forma geral, os impactos mais apontados nas três zonas foram a alteração da paisagem natural, os desgastes dos recifes de corais, a poluição sonora e a poluição da água/mar por lixo. Quanto às práticas ambientais, todos os grupos indicaram que possuem o hábito de economizar recursos como água e energia elétrica em suas residências e, também, quando viajam. Na separação do lixo (em suas casas e quando viajam), grande parte dos grupos indicou que a fazem. Outros disseram não fazer justificando que não sabem como proceder. Considerando as três áreas, todos os grupos apresentaram interesse em participar de alguma ação que busque melhorar o meio ambiente e o turismo nestes locais. Na análise da percepção ambiental, as pessoas que trabalham nos órgãos e os moradores da região costeira próxima a Picãozinho foram os únicos grupos que demonstraram possuir um perfil ecocêntrico. Todos os outros grupos (turistas, moradores da praia do Jacaré e do entorno antropocêntricos e indiferentes às questões ambientais.