Título
Justiça ambiental e conflito socioambiental na prática escolar docente: significando possibilidades e limites
Atualmente, práticas de educação em ciências e educação ambiental vêm sendo chamadas a responder a uma formação para participação comunitária e para justiça social. Todavia, sentidos hegemônicos, constituintes de tais práticas, contribuem para o apagamento de lutas ambientais, bem como de injustiças e desigualdades socioambientais que afligem determinadas comunidades. No enfrentamento deste problema, esta tese assume como questão de pesquisa entender o papel do conflito socioambiental na constituição de propostas de ensino relacionadas a uma formação voltada à justiça ambiental na escola. Seu objetivo é explorar sentidos de uma professora, em processo de formação continuada, na enunciação de um determinado conflito socioambiental em suas possibilidades e limites didáticos. As ações de formação foram realizadas no ano de 2011, em Macaé, uma região do norte do estado do Rio de Janeiro, altamente impactada pela indústria do petróleo e gás. Nesta tese, apresento análises de construções discursivas baseadas no referencial teórico-metodológico da Análise Crítica do Discurso (ACD). Tais análises revelaram hibridização entre visões emancipadoras, com aportes da justiça ambiental, e outras que não envolvem dimensões de questionamento, participação e transformação social. Problematizam em que medida ambivalências presentes no discurso investigado, tais como a coexistência da defesa de uma educação ambiental transformadora e de formulações nas quais prevalece o apagamento de injustiças/conflitos socioambientais e de seus atores, sinalizam a cooptação ideológica por discursos que não valorizam dimensões distributivas, participativas relacionadas à justiça ambiental. Além disso, as análises identificam matrizes curriculares rígidas como fator limitante da potencialidade transformadora de uma prática educativa voltada à discussão de temas socioambientais. Finalmente, os resultados apontam para a necessidade de fortalecimento da justiça ambiental e de conflitos socioambientais no tratamento didático de questões ambientais na escola como possibilidade de alcançar objetivos comprometidos com práticas educativas emancipatórias.