Título

Justiça ambiental e conflito socioambiental na prática escolar docente: significando possibilidades e limites

Programa Pós-graduação
Educação em Ciências e Saúde
Nome do(a) autor(a)
Angélica Cosenza Rodrigues
Nome do(a) orientador(a)
Isabel Gomes Rodrigues Martins
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2014
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Atualmente, práticas de educação em ciências e educação ambiental vêm sendo chamadas a responder a uma formação para participação comunitária e para justiça social. Todavia, sentidos hegemônicos, constituintes de tais práticas, contribuem para o apagamento de lutas ambientais, bem como de injustiças e desigualdades socioambientais que afligem determinadas comunidades. No enfrentamento deste problema, esta tese assume como questão de pesquisa entender o papel do conflito socioambiental na constituição de propostas de ensino relacionadas a uma formação voltada à justiça ambiental na escola. Seu objetivo é explorar sentidos de uma professora, em processo de formação continuada, na enunciação de um determinado conflito socioambiental em suas possibilidades e limites didáticos. As ações de formação foram realizadas no ano de 2011, em Macaé, uma região do norte do estado do Rio de Janeiro, altamente impactada pela indústria do petróleo e gás. Nesta tese, apresento análises de construções discursivas baseadas no referencial teórico-metodológico da Análise Crítica do Discurso (ACD). Tais análises revelaram hibridização entre visões emancipadoras, com aportes da justiça ambiental, e outras que não envolvem dimensões de questionamento, participação e transformação social. Problematizam em que medida ambivalências presentes no discurso investigado, tais como a coexistência da defesa de uma educação ambiental transformadora e de formulações nas quais prevalece o apagamento de injustiças/conflitos socioambientais e de seus atores, sinalizam a cooptação ideológica por discursos que não valorizam dimensões distributivas, participativas relacionadas à justiça ambiental. Além disso, as análises identificam matrizes curriculares rígidas como fator limitante da potencialidade transformadora de uma prática educativa voltada à discussão de temas socioambientais. Finalmente, os resultados apontam para a necessidade de fortalecimento da justiça ambiental e de conflitos socioambientais no tratamento didático de questões ambientais na escola como possibilidade de alcançar objetivos comprometidos com práticas educativas emancipatórias.


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