Título
Educação do campo no IFMT-campus São Vicente: desafios da construção de uma educação dialógica
O debate sobre a educação do campo no Brasil, e no nosso estado de Mato Grosso, ainda está num marco recente, mas carecendo de mais discussões que possam fortalecer as políticas públicas. O objetivo da pesquisa foi descrever sobre a inserção da Educação do Campo dentro do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia de Mato Grosso, o IFMT do campus São Vicente. Três esferas dimensionais foram consideradas como escopo da pesquisa: (1) a compreensão dos aparatos legais que se configuram como política da educação do campo e de que maneira a realidade dos movimentos sociais está incorporada na legislação; (2) a vivência praxiológica dos processos formativos promovidos no 'Projovem Campo: saberes e fazeres da terra'; e (3) a compreensão dos processos dialógicos dos movimentos sociais do campo e a instituição IFMT, na perspectiva crítica de interpretar de que maneira os diálogos tensivos foram construídos entre as instâncias que possuem suas próprias políticas distintas. A tese se orientou por meio do estudo de caso de cunho fenomenológico e teve como aporte três procedimentos metodológicos: (1) a pesquisa bibliográfica na compreensão conceitual, legal e documental; (2) O Estudo de Caso por entender que fundamentalmente os fenômenos que ocorreram na vivência pedagógica do Projovem não podem ser replicados para outras realidades dentro da instituição e nem fora dela; e (3) uma pesquisa participativa na interpretação das políticas que perfazem o itinerário da investigação, que integram o campo axiológico da participação também do autor da tese, enquanto sujeito envolvido no processo. Os resultados revelam que a construção dialógica entre instituições diferenciadas é tensiva, mas ocorre na tentativa de consolidar as políticas públicas na educação do campo. Configurando-se atual nas discussões que datam desde a contracultura da década de 60, a educação do campo ainda é um desafio tanto aos movimentos sociais como instituições de ensino superior. Contudo, ainda há brechas de esperanças e plenas possibilidades de construções para que o diálogo ainda seja a essência desejável à educação.