Título
Educação Ambiental em (Re)Vista: a produção discursiva da revista Nova Escola
Os problemas ambientais são, atualmente, o cerne de estudos em todo o mundo, devido à gravidade e à urgência na busca de soluções para as questões que preocupam os diversos setores sociais na contemporaneidade. No Brasil, o meio ambiente tornou-se um dos alvos de atenção e estudos nas últimas décadas, nos setores políticos, educacionais, sociais e culturais. Na medida em que o desenvolvimento técnico-científico se concretiza, cresce a distância entre o homem e a natureza, bem como a sua dominação sobre o meio ambiente natural, aumentando as ações humanas projetadas artificialmente sobre o espaço. Da conscientização de que há necessidade em modificar o comportamento humano em relação à natureza, surgiu a Educação Ambiental (EA) como campo do conhecimento importante, especialmente no âmbito escolar. Nossa investigação objetiva analisar um artefato cultural criado para promover a informação e a formação de professores da educação básica. Buscamos compreender as possibilidades que a Revista Nova Escola (RNE), publicada pela Editora Abril, apresenta aos educadores, na sua complexa tarefa de promover a EA. Particularmente, analisamos os diferentes tipos de textos e os sentidos produzidos pela referida revista, sobre a questão da EA no contexto escolar, intentando responder as seguintes questões: como as questões ambientais são apresentadas na Revista Nova Escola? Que discursos a mesma defende sobre meio ambiente e Educação Ambiental? Como a revista procura formar o professor para atuar na Educação ambiental? A pesquisa documental nos possibilitou compreender que o discurso sobre meio ambiente construído por Nova Escola está profundamente conectado ao discurso empresarial e a defesa do desenvolvimento sustentável. O discurso da sustentabilidade é veementemente defendido pela revista como alternativa para a resolução dos desafios ambientais. Além disso, verificamos que o professor, para a revista analisada, é visto como um sujeito que necessita de modelos de práticas pedagógicas, muito mais do que a preocupação com a formação do intelectual crítico. A revista é prescritiva com relação às sugestões metodológicas e modelos de práticas de ensino, dando ênfase ao pragmatismo, mais do que a formação do docente crítico-reflexivo. Esta constatação foi respaldada pela pesquisa bibliográfica, em que autores especializados do setor de ensino e em Educação Ambiental, como Sauvé, Layrargues, Sorrentino e Reigota, entre outros citados no desenvolvimento deste estudo, propõem uma educação ambiental crítica, que para além do pragmatismo ou do voluntarismo persevere na formação e na reflexão sobre os desafios ambientais enfrentados na atualidade.