Título
De Estocolmo, 1972 a Rio+20, 2012: O discurso ambiental e as orientações para a Educação Ambiental nas recomendações internacionais
De 1972 a 2012, três grandes conferências mundiais (Estocolmo-72; Rio-92; Rio+20) e um grande número de encontros, reuniões, congressos e conferências menores, que precederam e sucederam estes eventos principais, foram realizados pela Organização das Nações Unidas – ONU e seus organismos institucionais. Com a participação de centenas de países, tais eventos tiveram o propósito de discutir temas voltados à problemática ambiental e meio ambiente (poluição, desertificação, esgotamento dos recursos naturais, aquecimento global etc.), além de assuntos fundamentais como desenvolvimento econômico e social e, também, aspectos educacionais, buscando alternativas para enfrentamento dos problemas vivenciados pela humanidade. Tomando este percurso histórico, a presente pesquisa teve como objetivo analisar o discurso ambiental contido nas recomendações internacionais e nas orientações para a Educação Ambiental nos documentos oficiais produzidos em todos estes eventos. Como hipóteses, consideramos que de Estocolmo-1972 à Rio+20-2012, as recomendações internacionais trazem um discurso com propostas para o enfretamento das questões ambientais, apontando, entre outros tópicos, que as orientações, por si só, não são suficientes para desencadear as mudanças necessárias frente a estas questões; que o enfrentamento dos problemas ambientais envolve a participação de diferentes atores (países, governos, empresas, organizações, pessoas etc.), com objetivos e ações nem sempre consensuais; que a Educação Ambiental é um fator importante no enfrentamento das questões ambientais. Como procedimentos metodológicos, foram adotados: a pesquisa documental, em documentos oficiais produzidos nas conferências e encontros internacionais no referido período; a Análise de/do Discurso enquanto posicionamento teórico/conceitual acerca dos sentidos, contextos, conexões e autoria daquilo que foi produzido; a entrevista, por meio de questionário aberto enviado através de correio eletrônico e mensagens postadas em perfis pessoais em rede social na Internet. Em nossos resultados, observamos que tanto o discurso ambiental quanto aquele para a Educação Ambiental, contidos nas recomendações e orientações internacionais, repete-se ao longo das três grandes conferências e nos outros eventos menores, reverberando a mesma disposição em buscar alternativas frente às dificuldades de se encontrar mecanismos para que as soluções propostas sejam, efetivamente, colocadas em prática. Mesmo constatando mudanças positivas ao longo destes 40 anos, nossas considerações finais apontam que as ações engendradas foram tímidas, esbarrando na burocracia diplomática, na inércia governamental e na indisponibilidade econômica (de financiamento) dos países desenvolvidos para com os países em desenvolvimento.