Título
Cursos de educação não formal voltados para moradores de áreas de risco e técnicos da prefeitura: uma análise do seu papel
As grandes cidades brasileiras, como é o caso do município de São Paulo, passaram por uma urbanização acelerada e desorganizada a partir dos anos 60, levando a ocupação de várzeas e morros, e consequente formação de diversas áreas de risco. Uma forma de contribuir para prevenção e mitigação de acidentes e desastres nesses locais é através de trabalhos educacionais, como as capacitações de educação não formal voltadas para moradores e técnicos que nesses locais atuam. Com o intuito de entender o papel dessas capacitações e propor diretrizes básicas, foi realizado um estudo dos cursos de educação não formal voltados para prevenção e mitigação de acidentes e desastres em áreas de risco a movimentos de massa oferecidos pela Prefeitura do Município de São Paulo (PMSP) nos anos de 2012 e 2013. Para este estudo, acompanharam-se três capacitações: "Percepção de risco", "Capacitação para Mapeamento e Gerenciamento de Áreas de Risco" e "Riscos Ambientais Urbanos: uma Abordagem Preventiva". Para melhor compreendê-las, foram escolhidos alguns indicadores a serem observados, como o público-alvo ao qual foram destinadas e qual atingiram, distribuição geográfica dentro do município, conteúdo e linguagem, uso ou não da pedagogia crítica do lugar, papel didático das saídas de campo e relação com o gerenciamento participativo de riscos proposto pela PMSP. Como metodologia de análise, elaborou-se e aplicou-se questionário, realizou-se entrevista com técnicos da PMSP, analisou-se o material didático e outros matérias cedidos pela PMSP e acompanharam-se as capacitações. Entende-se que essas capacitações são de suma importância, contribuindo para melhorar a percepção de risco dos moradores e técnicos da PMSP. Entretanto, para que elas consigam contribuir a longo prazo para prevenção e mitigação de acidentes e desastres é interessante que não sejam entendidas como atividades pontuais, e pelo contrário, que estejam integradas ao gerenciamento participativo de risco das comunidades em áreas de risco.