Título
Contribuições do projeto promea na rede (São Carlos -SP) à construção de identidade e à formação ambiental continuada de professoras do ensio básico
A presente pesquisa esteve vinculada ao projeto ProMEA na Rede: uma alternativa para superar algumas dificuldades da educação ambiental (EA) no ensino básico. Uma das suas estratégias metodológicas consistiu na seleção de professoras/es para atuação como articuladoras/es da EA entre as escolas municipais e a comunidade. Para tanto, foi constituído um grupo de trabalho, formado por professoras do ensino básico, gestoras educacionais e a autora deste trabalho no desenvolvimento da sua pesquisa de doutorado. Entendemos que, da maneira como foi concebido e desenvolvido, especialmente no que se refere à reflexão e ao diálogo sobre as práticas entre todas as participantes, o ProMEA na Rede também se constituiu em um processo de formação de educadoras ambientais em seu âmbito de atuação. Assim, o objetivo dessa investigação foi compreender as maneiras pelas quais um processo de atuação em EA em uma rede pública de ensino pode contribuir com a formação e a construção das identidades de professoras como educadoras ambientais. Também buscamos compreender as contribuições de algumas dimensões específicas do projeto: os mapeamentos e diagnósticos socioambientais e a abordagem da bacia hidrográfica. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da UFSCar. Utilizamos como referencial teórico a hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer e a pedagogia dialógica de Paulo Freire, segundo os quais, assumimos uma pesquisa com epistemologia intersubjetiva, na qual o conhecimento é construído a partir do diálogo entre os sujeitos sobre as suas experiências. Foram utilizados métodos e técnicas que permitem o diálogo entre os sujeitos, bem como a interpretação da sua linguagem. As principais trajetórias de aproximação das professoras do ensino básico com a EA têm sido os cursos de especialização e/ou extensão na área e a inserção da EA na sua prática pedagógica. Também é importante ressaltar o papel das vivências pessoais e das relações intersubjetivas que adquirem novos significados nesse processo. A atuação de educadoras/es ambientais no ensino formal precisa contar com uma institucionalização que valorize a EA na escola e facilite o trabalho da/o educador/a dentro da estrutura vigente. A perspectiva dialógica e crítica da EA também foi bastante valorizada, pois a cooperação, o diálogo e a reflexão entre as professoras sobre suas práticas e seu papel na escola e na sociedade como um todo foram mencionados por elas como aspectos importantes em um processo formativo ambiental. Este também precisa ser produtor de alegria e satisfação no cotidiano escolar, o que favorece mudanças nas práticas profissionais e pessoais das/os educadoras/es. A partir da atuação em EA, as professoras constroem uma identidade ecológica, ainda que heterogênea e provisória, sujeita às oportunidades de atuação, passando a se identificar com o ideário ambiental não apenas no contexto profissional, mas também levando essas reflexões e práticas para suas vidas pessoais cotidianas. Portanto, no contexto escolar, a EA torna-se uma via de acesso para o campo ambiental, sendo que a institucionalização da EA no ensino básico é essencial para permitir a continuidade da construção dessa identidade por parte das/os professoras/es e consequentemente das ações educativas ambientais.