Título
Ambientalização curricular na educação superior: Tendências em dissertações e teses Brasileiras (1987-2009)
No contexto de um projeto de identificação, análise e avaliação das dissertações e teses brasileiras em Educação Ambiental defendidas no período 1987-2009 (Projeto EArte), desenvolvido pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - campus Rio Claro (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP), foram analisados os processos de ambientalização curricular propostos e/ou estudados pelos trabalhos de pesquisa em Educação Ambiental (EA) voltados para a formação de professores e profissionais educadores ambientais. O estudo configurou-se como pesquisa de estado da arte, tendo por problema a seguinte questão: que concepções e práticas de ambientalização curricular podem ser evidenciadas nas dissertações e teses em EA voltadas para formação de professores e profissionais educadores ambientais? A partir de dados obtidos via Banco de Teses da Capes e Projeto EArte, de um universo de 2.151 pesquisas em EA, foram selecionadas 85 dissertações e teses dentro da temática de interesse, classificadas em relação à base institucional (ano da defesa, instituição de ensino superior, região geográfica, grau de titulação acadêmica, dependência administrativa) e à base curricular-ambiental (modalidade do curso e área curricular, concepções de educação ambiental, concepções de currículo). Os resultados revelaram que: a) o conjunto de trabalhos sobre ambientalização curricular na formação inicial de educadores apresenta crescimento, com expansão mais visível no início dos anos 2000, em consonância com o incentivo à ambientalização na Educação Superior por parte dos marcos históricos e regulatórios internacionais e nacionais; b) predominam trabalhos defendidos em universidades federais, localizadas nas regiões Sudeste e Sul do país, em especial nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul; c) os trabalhos abrangem majoritariamente cursos de licenciatura, com predomínio de Ciências Biológicas e Pedagogia; d) a maior parte dos estudos configura-se como diagnóstico curricular de cursos e eventualmente de disciplinas específicas; e) poucas pesquisas implementam e avaliam propostas de ambientalização curricular; f) a maioria dos processos de ambientalização investigados pelos trabalhos assenta-se em perspectivas não-críticas de EA, ligadas às tendências conservadora e pragmática; g) há presença incipiente da perspectiva crítica no conjunto de documentos, e ainda de modo prognóstico e teórico; h) a concepção de currículo da grande maioria dos documentos é tradicional, mostrando estrutura rígida e pouco flexível dos cursos investigados. A produção investigada revelou ainda a persistência do debate em relação à disciplinarização da temática ambiental na formação inicial de professores e profissionais educadores ambientais e apontou para diversos obstáculos e condicionantes institucionais que favorecem processos de ambientalização curricular restritos, pontuais e com características pouco críticas. Nota-se um esforço da comunidade acadêmica brasileira em incorporar a dimensão ambiental na Educação Superior, porém, é necessário superar certa tendência a fragmentações e à disciplinarização da EA observada em boa parte da produção selecionada. Espera-se que este trabalho contribua para ampliar a divulgação de pesquisas em ambientalização curricular, colaborando para a circulação do conhecimento gerado na área e também suscitando elementos para novas investigações referentes à pesquisa em EA no Brasil.