Título
A Educação ambiental no ensino superior de saúde
A Educação Ambiental na formação do ensino superior constitui uma ferramenta imprescindível para a implicação das pessoas frente à necessidade de construir uma sociedade crítica e ativa diante da relação saúde/ambiente e da necessidade de preservação do meio ambiente, pois se reconhece o espaço universitário como território pulsante de movimentos de mudança importante para aplicação desses preceitos pelo acúmulo de saberes e produções. Buscou-se analisar a Educação Ambiental nos cursos de graduação da área de saúde de instituições públicas de ensino superior do estado da Bahia, e como objetivos específicos: caracterizar a Educação Ambiental nos diferentes cursos de graduação da área de saúde; relacionar a matriz curricular dos cursos de graduação da área de saúde às políticas nacionais de Educação Ambiental e de saúde; e compreender a correspondência entre as matrizes curriculares e o discurso de estudantes e professores dos cursos de graduação da área de saúde. Optou-se por uma pesquisa qualitativa e quantitativa com abordagem descritiva e exploratória em que foram coletados e analisados nos programas e ementas de disciplinas de dezessete cursos de graduação na área de saúde em quatro universidades. Posteriormente foi aplicado um questionário semiestruturado a estudantes e professores dos cursos de graduação em saúde das instituições de ensino estudadas. Os resultados apontaram que as disciplinas específicas sobre a temática ambiental na saúde, nos cursos de graduação em saúde, são prioritariamente oferecidas nos dois primeiros anos de estudo. Dos dezessete cursos de graduação em saúde estudados, quatorze apresentam no mínimo uma disciplina específica sobre a temática ambiental na saúde, dois cursos apresentam três disciplinas e quatro cursos não apresentam nenhuma disciplina sobre Meio ambiente e Saúde na sua matriz curricular. Os estudantes avaliaram a matriz do curso em que estuda como ruim em relação ao ensino de questões sobre o meio ambiente, contudo reconhecem a importância da discussão ambiental na saúde. Percebe-se que apesar das mudanças curriculares, pelas quais os cursos de graduação em saúde vêm passando ao longo dos anos, o modelo de formação profissional apresenta foco em técnicas e práticas não preventivas. Tal situação evidencia um distanciamento na relação saúde/ambiente e na proteção ambiental. Isto faz com que os cursos de graduação em saúde minimizem associações entre doenças/saúde e questões ambientais, levando-se em conta que tais questões devem ser tratadas como tema transversal na graduação em saúde, sinalizando claramente a necessidade de mais discussões e melhor incorporação da temática ambiental no campo da saúde.