Título

A educação ambiental na busca do escutar: O encontro com a infância

Programa Pós-graduação
Educação Ambiental
Nome do(a) autor(a)
Elaine da Silveira Meirelles Leite
Nome do(a) orientador(a)
Maria do Carmo Galiazzi
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2014
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Esta tese buscou compreender as relações que as crianças estabelecem ao desenhar. Como a pesquisa foi realizada com as crianças, seu objetivo maior foi aprender a escutar as crianças, tendo as suas narrativas como material de análise, que ficaram registradas nos vídeos dos encontros. Utilizou-se a Análise Textual Discursiva para a interpretação das informações produzidas. Reconhecendo a heterogeneidade e a complexidade da infância, busquei a aproximação do campo da Sociologia da Infância com o da Filosofia a fim de melhor compreender o fenômeno vivenciado. Ao processo de pesquisa foi atribuído o sentido da experiência, por isso a metodologia se tornou uma categoria de análise, tendo como pontos determinantes para esse processo a filmadora nas mãos das crianças; poder assistir os vídeos e, assim, reviver as narrativas produzidas; e o diário de campo também como possibilidade de pensar sobre o vivido. Os saberes construídos nesta experiência me permitiram evidenciar que as crianças estabelecem relações de interatividade com seus pares nos momentos de partilha comum, revelando assim o desejo de sua integração nas culturas de pares infantis. Essa interatividade foi mostrada pelas crianças ao compartilhar suas vivências no desenhar, quando contavam de si ao outro; ao permitir que o desenho fosse compartilhado, em que a cópia e a intervenção de seus pares traziam a emergência de uma autoria coletiva (SARMENTO, 2011); e ao vivenciarem situações de conflito, que mostravam não ser natural sua participação nas culturas infantis, simplesmente pelo fato de pertencerem à mesma categoria geracional. Além das relações estabelecidas entre os pares, as crianças também estabelecem relações com as culturas dos adultos, em que as duas culturas encontram-se imbricadas, produzindo-se mutuamente e, construindo-se em relações de conflitos. As informações produzidas mostraram a dificuldade do adulto em escutar as escolhas das crianças, moldando-as as suas expectativas e ao seu planejamento, colocando-lhes regras. Mas também mostraram que as crianças não são passivas a essas regras, se suas escolhas não são escutadas elas acham formas, estratégias de realizá-las. Os resultados também evidenciaram que adultos e crianças estabelecem relações diferentes com o tempo. Relações de linearidade e de continuidade convivem com relações de intensidade, de recursividade e de descontinuidade. A pesquisa trouxe a compreensão de que a infância e, consequentemente, as crianças como sujeitos concretos que vivem essa categoria geracional, é um outro, diferente do que eu enquanto adulta digo dela ou posso representá-la. A experiência da pesquisa me permitiu encontrá-la não a partir do que eu sabia dela, mas do que ela me escapou. Assim, eu defendo que esta é uma tese na Educação Ambiental por conta da possibilidade da escuta favorecer um encontro e, com ele, a transformação das relações, sendo mais horizontais e mais interativas. Portanto, a tese produzida nessa pesquisa é a de que na Educação Ambiental o escutar potencializa o encontro com a infância e, com ele, a transformação das relações dos adultos com as crianças.


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Contexto Educacional