Título
A educação ambiental na busca do escutar: O encontro com a infância
Esta tese buscou compreender as relações que as crianças estabelecem ao desenhar. Como a pesquisa foi realizada com as crianças, seu objetivo maior foi aprender a escutar as crianças, tendo as suas narrativas como material de análise, que ficaram registradas nos vídeos dos encontros. Utilizou-se a Análise Textual Discursiva para a interpretação das informações produzidas. Reconhecendo a heterogeneidade e a complexidade da infância, busquei a aproximação do campo da Sociologia da Infância com o da Filosofia a fim de melhor compreender o fenômeno vivenciado. Ao processo de pesquisa foi atribuído o sentido da experiência, por isso a metodologia se tornou uma categoria de análise, tendo como pontos determinantes para esse processo a filmadora nas mãos das crianças; poder assistir os vídeos e, assim, reviver as narrativas produzidas; e o diário de campo também como possibilidade de pensar sobre o vivido. Os saberes construídos nesta experiência me permitiram evidenciar que as crianças estabelecem relações de interatividade com seus pares nos momentos de partilha comum, revelando assim o desejo de sua integração nas culturas de pares infantis. Essa interatividade foi mostrada pelas crianças ao compartilhar suas vivências no desenhar, quando contavam de si ao outro; ao permitir que o desenho fosse compartilhado, em que a cópia e a intervenção de seus pares traziam a emergência de uma autoria coletiva (SARMENTO, 2011); e ao vivenciarem situações de conflito, que mostravam não ser natural sua participação nas culturas infantis, simplesmente pelo fato de pertencerem à mesma categoria geracional. Além das relações estabelecidas entre os pares, as crianças também estabelecem relações com as culturas dos adultos, em que as duas culturas encontram-se imbricadas, produzindo-se mutuamente e, construindo-se em relações de conflitos. As informações produzidas mostraram a dificuldade do adulto em escutar as escolhas das crianças, moldando-as as suas expectativas e ao seu planejamento, colocando-lhes regras. Mas também mostraram que as crianças não são passivas a essas regras, se suas escolhas não são escutadas elas acham formas, estratégias de realizá-las. Os resultados também evidenciaram que adultos e crianças estabelecem relações diferentes com o tempo. Relações de linearidade e de continuidade convivem com relações de intensidade, de recursividade e de descontinuidade. A pesquisa trouxe a compreensão de que a infância e, consequentemente, as crianças como sujeitos concretos que vivem essa categoria geracional, é um outro, diferente do que eu enquanto adulta digo dela ou posso representá-la. A experiência da pesquisa me permitiu encontrá-la não a partir do que eu sabia dela, mas do que ela me escapou. Assim, eu defendo que esta é uma tese na Educação Ambiental por conta da possibilidade da escuta favorecer um encontro e, com ele, a transformação das relações, sendo mais horizontais e mais interativas. Portanto, a tese produzida nessa pesquisa é a de que na Educação Ambiental o escutar potencializa o encontro com a infância e, com ele, a transformação das relações dos adultos com as crianças.