Título

A educação ambiental crítica e sua contrução na escola pública: Compreendendo contradições pelos caminhos da formação de professores

Programa Pós-graduação
Educação para a Ciência
Nome do(a) autor(a)
Danielle Cristina de Souza
Nome do(a) orientador(a)
Jandira Lira Biscalquini Talamoni
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2014
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

Na Educação Ambiental (EA) presente nas escolas públicas no território nacional predominam práticas fragilizadas, desconectadas do currículo escolar e sustentadas em uma perspectiva de educação conservacionista e pragmática. Procurando contribuir para a superação destas limitações e considerando a necessidade da formação de professores, como um caminho para que os determinantes destas sejam identificados e compreendidos, nosso objetivo central foi compreender um contexto formativo em suas contradições, visando à proposição de elementos teórico-metodológicos que favorecessem a construção da EA crítica na escola. Nosso referencial teórico para compreensão do movimento do real em sua totalidade e contradições foi o materialismo histórico-dialético. Focamos as instituições, as ideias, os agentes e os rituais pedagógicos visualizados na totalidade social. Buscamos aportes na Pedagogia Histórico-Crítica e refletimos sobre a formação de professores, defendendo a configuração de uma práxis transformadora. A pesquisa de campo, de cunho qualitativo, ocorreu no contexto de um projeto do Programa Núcleo de Ensino da UNESP- Bauru (SP), cujas intervenções ocorreram em dois anos letivos. A primeira fase se concretizou como um curso de formação continuada, vinculado a um órgão da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, visando à problematização do currículo oficial e da EA crítica na escola. Coletamos dados pelos registros escritos dos professores, na observação participante e anotações em diário de campo. Analisamos o currículo oficial e os documentos sobre a formação de professores do Estado. Esta fase nos trouxe elementos representantes das intervenções de controle do Estado na formação dos professores e nas práticas escolares, o que não favorece a superação de suas limitações, pois estão voltadas para garantir a reprodução do conteúdo, da forma sugerida pela política vinculada ao currículo oficial. Encontramos coerência entre as ideias do Currículo oficial com relação à EA e à problemática ambiental e as concepções e práticas dos professores participantes do curso, assim, embora existam conflitos e negação do que é prescrito pelo Estado, há na escola o reforço à predominância da EA que não se faz pela crítica social. Muitos professores demonstraram interesse em avançar em suas concepções e práticas, mas indicaram não dispor dos elementos necessários para tanto. Na segunda intervenção, desenvolvida em uma escola pública, focamos o conhecimento da realidade escolar e suas relações sociais a partir da abordagem do tema Violência na escola, principalmente junto a uma professora. Utilizamos da observação participante, do diário de campo, registros escritos dos alunos, fotos, vídeos e uma entrevista semiestruturada. Pudemos reconhecer que as práticas educativas predominantes na escola favorecem a reprodução das relações de poder e submissão, o que foi debatido pela questão da “violência simbólica”, embora haja espaço para práticas que escapem a esta tendência e ao controle curricular. Refletimos sobre a competência pedagógica e o compromisso político do professor com respeito a estas questões, finalizando com apontamentos sobre os processos de formação e a postura de professores como subsídios para a construção das consciências da práxis e de classe, essenciais ao professor para uma atuação que viabilize a construção da EA crítica na escola pública.


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