Título
Potencialidades da língua crioula na educação ambiental: escolas do ensino secundário no município da Praia, Cabo Verde
Apesar de ser o principal veículo de comunicação dos cabo-verdianos, residentes e na diáspora, a língua crioula não logrou alcançar o estatuto de língua oficial de Cabo Verde, passados 38 anos, desde a independência política do País. Com forte presença na cultura das Ilhas, o crioulo, no entanto, só se destaca em ambientes informais, ao contrário do português, cuja legitimidade é reconhecida pela Constituição de 1992 como língua oficial de Cabo Verde. Com este reconhecimento oficial, o crioulo foi literalmente afastado da administração, do ensino formal e informal, dos negócios e da diplomacia. Na Educação Ambiental, a discriminação do crioulo atinge níveis de pura ausência. Esta pesquisa fala das potencialidades do uso da língua materna de Cabo Verde, o crioulo, como instrumento na Educação Ambiental nas escolas de ensino secundário, no município da Praia. Sua habilidade como língua estruturada é demonstrada por meio de pesquisas diversas que antecedem esta dissertação, e, entrevistas dirigidas aos professores, coordenadores e diretores das escolas do ensino secundário no município da Praia, capital de Cabo Verde, comprovam o seu potencial. A pesquisa aponta claramente a vontade de valorizar o crioulo, introduzindo-a como língua de apoio, juntamente com a língua portuguesa no que concerne à Educação Ambiental, faltando a vontade política dos decisores para a sua implantação. Neste trabalho, propõe-se o início de amplo debate nacional sobre as potencialidades da língua-mãe, como instrumento de mudanças de comportamentos, em face da degradação do meio ambiente e dos seus impactos para a sociedade, nomeadamente para as gerações vindouras.