Título
Palavras científicas sonhantes em um território úmido feito à mão: a arte popular da Canoa Pantaneira
Este estudo expressa o resultante de uma pesquisa fenomenológica com foco na Educação Ambiental, onde oferta contornos bem expressivos à relação Natureza e Cultura através das práticas artísticas de uma comunidade pantaneira, Pantanal norte, Complexo comunitário de Joselândia, distrito do município de Barão de Melgaço em Mato Grosso, Brasil. Uma pesquisa que trilhou pelo caminho formativo-aprendiz da Arte Educação Ambiental partindo das ligações ecossistêmicas da canoa pantaneira feita pelos Mestres canoeiros, seguindo para as aprendizagens científicas. Para tal, apoiou-se em Gaston Bachelard (Fenomenologia da Imagem e da Imaginação), em Michèle Sato (Cartografia do Imaginário para Pesquisa em Educação Ambiental), em Paulo Freire (Educação Popular), Michèle Sato (Educação Ambiental) e em Ana Mãe Barbosa (Arte Educação). O percurso compreensivo foi bordado pelos objetivos que se compuseram por buscar possibilidades para reabrir o diálogo entre Natureza e Cultura; compor uma cartografia sistêmica pelo viés artístico cultural dos serviços ecossistêmicos e tecer ligações entre Arte e Ciência, esferas ainda dicotomizadas. Compreender o fio sistêmico da canoa pantaneira mergulhada no contexto das relações estabelecidas com o Pantanal norte, bacia do Alto Paraguai com as suas águas chegantes na atualidade, permitiu o nascer de imagens artísticas poética-científicas, promovedoras da compreensão da relação Arte e Ciência. A tradição moderna assentou dicotomias que não permitem o brotar possibilidades da complementariedade-dialogantes, desembocando na potencia da objetividade na despotencialização da subjetividade, tracejando diferenças, esculpindo desigualdades, exclusões, invisibilidades, portanto, injustiças e insustentabilidades. O estudo ao revelar as compreensões almejadas, abriu caminhos importantes para a contemporaneidade educacional, científica e cotidiana. A pesquisa desenhou uma educação sensível criativa como indispensável à formação humana em todos os âmbitos, em especial para as questões ambientais que estampam com palheta forte, a necessidade de uma Educação Ambiental em todas as estâncias de atuação-relações humanas, inclusive na Ciência, clamando por superações das dicotomias instauradas pelo pensamento moderno, transcendendo em busca de brechas, em busca de diálogos, em busca de complementariedades. No caso desta pesquisa a busca foi pela complementariedade entre Natureza e Cultura, bem como, Ciência e Arte no intento de alcançar reinvenções necessárias na expectativa de contribuir com a superação dos problemas sociais e ambientais existentes. Uma Educação Ambiental sensível, crítica e criativa transbordante de transformação social com responsabilidade e compromisso, considera este estudo, por se revelar um referencial significativo às pesquisas, aos governos e a sociedade em geral, pois, ao pensar políticas públicas no viés sociocultural se deve aliar o socioambiental para compor as tomadas de decisões que desenharão as políticas e a Ciência em tempos Pós-Modernos.