Título
Os saberes socio ambientais necessários a educação do presente
A formação inicial e continuada de educadores ambientais tem sua história marcada pela fragmentação do conhecimento e o determinismo da ciência. A Teoria da Complexidade defendida por Edgar Morin traz em si o desafio de outra forma de pensamento e, por consequência implicações importantes na formação de educadores ambientais. Nessa linha de pensamento, o presente trabalho consiste em aprofundar a EA sob o enfoque socioambiental, dada a necessidade de se reforçar a ideia de que as questões sociais e ambientais encontram-se imbricadas em sua gênese e que as consequências manifestam essa interposição em sua concretude, das partes para o todo e do todo para as partes, como propõe Morin (2011). Tal perspectiva educativa é de fundamental importância para a Formação do Educador ambiental no contexto da Universidade, tendo em vista os necessários processos de mudanças na escola e na sociedade, quanto à formação dos cidadãos. Não se quer, contudo, estabelecer um modelo para orientar educadores ambientais, isso geraria um reducionismo e uma negação da Teoria da Complexidade, na qual nos baseamos; mas pretende-se definir premissas que fundamentem o processo de formação de educadores ambientais, a partir da contribuição de Morin. Desta forma esta pesquisa teve como objetivo analisar se os Sete Saberes propostos por Morin encontram-se presentes nas concepções e nas práticas docentes dos formadores dos educadores ambientais. Como metodologia optamos pela pesquisa qualitativa em um Curso de Pedagogia e um Programa de Pós Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento (MADE), ambos da Universidade Federal do Paraná. Para a coleta de dados utilizamos a técnica da entrevista semiestruturada com oito professores, a observação de aulas e a análise de documentos dos cursos selecionados. Posteriormente, os dados obtidos foram analisados conforme a técnica de análise de conteúdo, de Bardin (2002). Os resultados revelaram os Sete Saberes de Morin constituem-se como uma importante contribuição epistemológica e metodológica para a formação de educadores ambientais e ainda que de forma embrionária encontram-se presentes em ambos os processos de formação mencionados devido às concepções dos docentes e a aspectos encontrados nos documentos dos Cursos pesquisados (PPP da Pedagogia e Regimento do MADE). Entretanto uma dificuldade constatada foi a transposição da teoria na prática pedagógica. A tradição de um pensamento de disjunção presente em nossa cultura foi apontada pelos professores como predominante na universidade tanto por parte da estrutura quanto dos seus pares. No entanto acreditamos que a abertura ao diálogo com os fundamentos científicos e filosóficos convergentes com a Teoria da Complexidade de Morin demonstrada pelos professores entrevistados, pode ser vista como um elemento importante no caminho para a transformação rumo à construção do pensamento complexo.