Título

O imagnético de uma comunidade caatingueira e os sentidos atribuídos à onça em uma processo formativo de educação ambiental crítica

Programa Pós-graduação
Ecologia e Recursos Naturais
Nome do(a) autor(a)
Lakshmi Juliane Vallim Hofeta Tter
Nome do(a) orientador(a)
Haydee Torres de Oliveira
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2013
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Esta dissertação apresenta uma pesquisa de educação ambiental, em sua perspectiva crítica e compreensiva, que busca contribuir na formação de sujeitos capazes de ler e atuar no mundo, se posicionando criticamente diante da realidade vivida. Esta pesquisa, qualitativa, foi concebida no âmbito de um processo de formação em educação ambiental de professoras/es e alguns membros da comunidade caatingueira de Brejo dos Olhos d'Água, no município de Barra-BA. Trata-se, também, de uma educação contextualizada, que considera a historicidade dos sujeitos inseridos em contextos sociais embasada na educação popular difundida por Paulo Freire. Para conhecer a percepção socioambiental do grupo envolvido utilizamos métodos participativos como o biomapa e o painel rotativo, aprofundando o estudo através da fotografia, pelo método de foto-elicitação. A partir da compreensão sobre a percepção socioambiental do grupo, conduziu-se o trabalho para o principal objeto desta pesquisa, a análise dos sentidos atribuídos à onça-pintada (Panthera onca) e à onça-parda (Puma concolor). A relação entre seres humanos e as onças é extremamente conflituosa por causa do papel ecológico que este animal ocupa: o de predador de topo de cadeia. Isto reflete em conflitos por conta da predação às criações animais e no uso do espaço e dos recursos naturais, que são considerados escassos na caatinga. Para cumprir o objetivo de melhor compreender a origem de tantos sentimentos negativos em relação as onças, o grupo participante foi a campo fazer entrevistas com caçadores e recolher causos de onça. Utilizamos a técnica do grupo focal para aprofundar algumas das questões pertinentes que se evidenciaram no transcorrer da pesquisa. Em todas as etapas da pesquisa e curso aplicamos questionários, tanto para obtenção de dados sobre percepção socioambiental, como para avaliar o processo educativo. Adotamos como perspectiva teórica a hermenêutica, para interpretar questões subjetivas, implícitas ao ser humano, além de outras referências pertinentes dentro de cada uma das questões tratadas, como a semiótica para interpretação de imagens fotográficas. Observamos que os conflitos entre humanos e onças têm causas históricas e permeiam fortemente o imaginário coletivo através do medo transmitido ao longo de gerações, porém o contato com a onça pode desmistificar esse medo. Além disto, existem conflitos de interesse de uso de recursos naturais e do espaço que precisam de planejamento e investimento público para que se solucionem. Evidencia-se que o fato de se estar na caatinga, onde os modos de vida são diretamente relacionados ao uso direto de recursos e que a água é um fator limitante, torne o conflito ainda mais emblemático, o que precisa ser considerado em qualquer tomada de decisão. Apontamos como caminhos possíveis a formação continuada e contextualizada de professoras/es; a sensibilização para emergir outras formas de percepção dos recursos naturais para além da utilitarista; a desmistificação do medo com informações e, se possível, contato com a onça e um planejamento conjunto e participativo do uso de espaço garantindo os modos de vida da população e a sobrevivência das onças.


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