Título
O imagnético de uma comunidade caatingueira e os sentidos atribuídos à onça em uma processo formativo de educação ambiental crítica
Esta dissertação apresenta uma pesquisa de educação ambiental, em sua perspectiva crítica e compreensiva, que busca contribuir na formação de sujeitos capazes de ler e atuar no mundo, se posicionando criticamente diante da realidade vivida. Esta pesquisa, qualitativa, foi concebida no âmbito de um processo de formação em educação ambiental de professoras/es e alguns membros da comunidade caatingueira de Brejo dos Olhos d'Água, no município de Barra-BA. Trata-se, também, de uma educação contextualizada, que considera a historicidade dos sujeitos inseridos em contextos sociais embasada na educação popular difundida por Paulo Freire. Para conhecer a percepção socioambiental do grupo envolvido utilizamos métodos participativos como o biomapa e o painel rotativo, aprofundando o estudo através da fotografia, pelo método de foto-elicitação. A partir da compreensão sobre a percepção socioambiental do grupo, conduziu-se o trabalho para o principal objeto desta pesquisa, a análise dos sentidos atribuídos à onça-pintada (Panthera onca) e à onça-parda (Puma concolor). A relação entre seres humanos e as onças é extremamente conflituosa por causa do papel ecológico que este animal ocupa: o de predador de topo de cadeia. Isto reflete em conflitos por conta da predação às criações animais e no uso do espaço e dos recursos naturais, que são considerados escassos na caatinga. Para cumprir o objetivo de melhor compreender a origem de tantos sentimentos negativos em relação as onças, o grupo participante foi a campo fazer entrevistas com caçadores e recolher causos de onça. Utilizamos a técnica do grupo focal para aprofundar algumas das questões pertinentes que se evidenciaram no transcorrer da pesquisa. Em todas as etapas da pesquisa e curso aplicamos questionários, tanto para obtenção de dados sobre percepção socioambiental, como para avaliar o processo educativo. Adotamos como perspectiva teórica a hermenêutica, para interpretar questões subjetivas, implícitas ao ser humano, além de outras referências pertinentes dentro de cada uma das questões tratadas, como a semiótica para interpretação de imagens fotográficas. Observamos que os conflitos entre humanos e onças têm causas históricas e permeiam fortemente o imaginário coletivo através do medo transmitido ao longo de gerações, porém o contato com a onça pode desmistificar esse medo. Além disto, existem conflitos de interesse de uso de recursos naturais e do espaço que precisam de planejamento e investimento público para que se solucionem. Evidencia-se que o fato de se estar na caatinga, onde os modos de vida são diretamente relacionados ao uso direto de recursos e que a água é um fator limitante, torne o conflito ainda mais emblemático, o que precisa ser considerado em qualquer tomada de decisão. Apontamos como caminhos possíveis a formação continuada e contextualizada de professoras/es; a sensibilização para emergir outras formas de percepção dos recursos naturais para além da utilitarista; a desmistificação do medo com informações e, se possível, contato com a onça e um planejamento conjunto e participativo do uso de espaço garantindo os modos de vida da população e a sobrevivência das onças.