Título
Indústria cultural, natureza e educação: uma análise do uso de recursos midiáticos sobre a temática ambiental na escola
crise ambiental vivenciada na atualidade demonstra, de forma evidente, que o modelo de relação historicamente edificado entre seres humanos e natureza tornou-se destrutivo e insustentável. Tal modelo de relação é altamente influenciado pelo desenvolvimento da ciência moderna, que desde os seus primórdios, apregoa o domínio da natureza com o objetivo de conhecê-la. Nesse processo, destacam-se as contribuições de cientistas como Francis Bacon, Galileu Galilei, René Descartes e Isaac Newton que, de modo efetivo, alteraram a forma como, desde então, o ser humano se relacionaria com o mundo externo. Entretanto, a era moderna evidenciou o horror das Guerras Mundiais e o Nazismo, símbolos máximos de que a racionalidade técnica e o progresso estrondoso da ciência e da tecnologia não foram utilizados somente para o bem da humanidade. Para além de tais constatações e a partir da contribuição dos pensadores da Teoria Crítica, o presente estudo busca compreender o papel desempenhado pela educação no processo de emancipação dos indivíduos frente aos ditames da indústria cultural e da sociedade de consumo, que por meio de discursos “ecologicamente corretos” visa fidelizar um mercado consumidor para seus produtos, fabricados na mesma lógica da produção capitalista de mercadorias, mas com apelos à proteção ambiental. Nesse sentido, observa-se o crescimento e difusão de filmes infantis que abordam a temática ambiental que, desde a década de noventa, vem invadindo espaços da sociedade, dentre eles a escola. Considerando essa problemática, a pesquisa tem por objetivo analisar de que forma os filmes infantis - que abordam a temática ambiental - são utilizados pelos professores dos primeiros anos do ensino básico, bem como compreender as razões que motivam tal utilização. A investigação foi desenvolvida a partir de questionários e entrevistas realizadas com professores do ensino básico, pedagogos, de uma cidade mineira. Os dados demonstram que a maioria dos professores participantes utiliza esses recursos midiáticos em suas aulas pelos seguintes motivos: grande acessibilidade a tais filmes em videolocadoras e internet; preferência e aceitabilidade dos alunos em relação aos filmes; auxílio de mais um interlocutor para diversificar aulas expositivas nas quais apenas o professor fala sobre o assunto; e a busca por tornar as aulas sobre meio ambiente mais atraentes e interessantes aos alunos. Concluímos, por meio desta investigação, que a maioria dos professores não realiza uma análise criteriosa de tais filmes, o que indica a necessidade de uma formação mais crítica dos professores em relação à utilização de recursos midiáticos em atividades pedagógicas. No entanto, vale destacar a participação de um dos professores. Ele demonstrou em seus relatos a importância e o compromisso do trabalho docente com a formação dos alunos, tendo em vista uma compreensão mais reflexiva da problemática ambiental. Portanto, a partir do posicionamento desse professor e de acordo com nossos estudos, seria possível dizer que a educação pode ser considerada uma possibilidade de exercermos um questionamento à lógica da sociedade de consumo, aos produtos da indústria cultural e ao processo de semiformação, que juntos representam um entrave na construção de uma nova relação entre seres humanos e natureza.