Título

Indústria cultural, natureza e educação: uma análise do uso de recursos midiáticos sobre a temática ambiental na escola

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Janaina Roberta Santos
Nome do(a) orientador(a)
Luiz Roberto Gomes
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2013
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

crise ambiental vivenciada na atualidade demonstra, de forma evidente, que o modelo de relação historicamente edificado entre seres humanos e natureza tornou-se destrutivo e insustentável. Tal modelo de relação é altamente influenciado pelo desenvolvimento da ciência moderna, que desde os seus primórdios, apregoa o domínio da natureza com o objetivo de conhecê-la. Nesse processo, destacam-se as contribuições de cientistas como Francis Bacon, Galileu Galilei, René Descartes e Isaac Newton que, de modo efetivo, alteraram a forma como, desde então, o ser humano se relacionaria com o mundo externo. Entretanto, a era moderna evidenciou o horror das Guerras Mundiais e o Nazismo, símbolos máximos de que a racionalidade técnica e o progresso estrondoso da ciência e da tecnologia não foram utilizados somente para o bem da humanidade. Para além de tais constatações e a partir da contribuição dos pensadores da Teoria Crítica, o presente estudo busca compreender o papel desempenhado pela educação no processo de emancipação dos indivíduos frente aos ditames da indústria cultural e da sociedade de consumo, que por meio de discursos “ecologicamente corretos” visa fidelizar um mercado consumidor para seus produtos, fabricados na mesma lógica da produção capitalista de mercadorias, mas com apelos à proteção ambiental. Nesse sentido, observa-se o crescimento e difusão de filmes infantis que abordam a temática ambiental que, desde a década de noventa, vem invadindo espaços da sociedade, dentre eles a escola. Considerando essa problemática, a pesquisa tem por objetivo analisar de que forma os filmes infantis - que abordam a temática ambiental - são utilizados pelos professores dos primeiros anos do ensino básico, bem como compreender as razões que motivam tal utilização. A investigação foi desenvolvida a partir de questionários e entrevistas realizadas com professores do ensino básico, pedagogos, de uma cidade mineira. Os dados demonstram que a maioria dos professores participantes utiliza esses recursos midiáticos em suas aulas pelos seguintes motivos: grande acessibilidade a tais filmes em videolocadoras e internet; preferência e aceitabilidade dos alunos em relação aos filmes; auxílio de mais um interlocutor para diversificar aulas expositivas nas quais apenas o professor fala sobre o assunto; e a busca por tornar as aulas sobre meio ambiente mais atraentes e interessantes aos alunos. Concluímos, por meio desta investigação, que a maioria dos professores não realiza uma análise criteriosa de tais filmes, o que indica a necessidade de uma formação mais crítica dos professores em relação à utilização de recursos midiáticos em atividades pedagógicas. No entanto, vale destacar a participação de um dos professores. Ele demonstrou em seus relatos a importância e o compromisso do trabalho docente com a formação dos alunos, tendo em vista uma compreensão mais reflexiva da problemática ambiental. Portanto, a partir do posicionamento desse professor e de acordo com nossos estudos, seria possível dizer que a educação pode ser considerada uma possibilidade de exercermos um questionamento à lógica da sociedade de consumo, aos produtos da indústria cultural e ao processo de semiformação, que juntos representam um entrave na construção de uma nova relação entre seres humanos e natureza.


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