Título
Ideário ambiental e luta de classes no campo: análise crítica do programa de Educação Ambiental e agricultura familiar do Ministério do Meio Ambiente
Esta dissertação tem como objetivo geral analisar criticamente o Programa de Educação Ambiental e Agricultura Familiar (PEAAF), que foi elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) a partir de reivindicações de movimentos de trabalhadores rurais organizados durante o Grito da Terra 2009. Portanto, tomamos como referencial o materialismo histórico dialético e a literatura marxista, especialmente os escritos de Marx e Gramsci; para a análise da dinâmica do capitalismo dependente, Florestan Fernandes, Ruy Mauro Marini e Jaime Osorio. Nossos objetivos específicos são: compreender como o ideário ambiental é articulado nos processos educacionais promovidos pelo Estado Brasileiro e como um programa de educação ambiental promovido pelo Estado Brasileiro é inserido na dinâmica de luta de classes no campo. Nossa análise estará pautada pela reflexão acerca do Estado e do sentido de público (os direitos de todo o povo) como expressão das lutas sociais, como resultado da luta de classes (LEHER, 2005). Nossa hipótese é a de que o tipo de Educação Ambiental promovido pelo Estado brasileiro, em sua atual configuração, cumpre o papel de "mascarar" a luta de classes, promovendo a "parceria" subordinada da classe trabalhadora rural com o empresariado do agronegócio mundializado. Ao promover esta "parceria", a educação ambiental contribuiria para reproduzir uma ideologia de fim dos conflitos e das contradições público-privado, assim como o enfraquecimento da luta histórica dos movimentos sociais do campo contra a expropriação. Como procedimento metodológico para a compreensão do PEAAF, realizamos análise documental, entrevistas não estruturadas com técnicos do MMA, participação em oficinas do PEAAF e análise de discurso; para a compreensão da dinâmica político-ambiental brasileira, realizamos um levantamento sobre financiamento de campanhas eleitorais. Com esta investigação, buscamos contribuir nos debates sobre Educação e Movimentos Sociais, oferecendo materiais para uma maior compreensão acerca das respostas do Estado Brasileiro - em sua atual configuração - às reivindicações dos movimentos sociais no campo da educação. Neste sentido, verificamos que o PEAAF é um programa educacional promovido por um Estado que possui extrema vinculação com setores do agronegócio e que, desta forma, tende a difundir as bases ideológicas necessárias para a hegemonia de um conceito de agricultura familiar que seja mais favorável ao capital, através de um "ideário ambiental" de forte característica conciliadora no "amansamento" e "mascaramento" da luta de classes e pragmática ao promover as reformulações necessárias para que pequenos agricultores sirvam melhor ao capital. Um "ideário ambiental" contraditoriamente ecológico e antiecológico.