Título
Histórias de infância e o que nos ensinam sobre modos de (re) viver e sentir um ambiente
Inspirada pelos estudos culturais em seu encontro com a educação, esta pesquisa propõe pensar sobre os modos como os sujeitos sentem, vivem, aprendem-ensinam sobre um ambiente. Neste caso, a proposta volta-se para um grupo de cinco pessoas que têm suas histórias de infância intensamente ligadas à cidade litorânea de Santa Catarina: Governador Celso Ramos. Com o intuito de provocar as contações, os personagens foram incitados a falar sobre objetos que disparam lembranças. Logo, estes artefatos assumiram o papel de protagonistas em suas histórias. Eles ganharam vida em relatos, borraram alguns delineamentos do que seria um objeto e possibilitaram intensas narrativas sobre acontecimentos afetivos. Através de autores como Bosi, Portelli, Benjamin, Brandão e Barcelos, a pesquisa opera conceitos de memória, narrativa e suas correlações com a educação ambiental. Aqui o contar e o ouvir mostram-se como possibilidades de se produzir outras formas de (re)pensar o presente e inventar desejos de futuro. Dentro do campo teórico dos estudos culturais, a pesquisa traz autores como Canclini, Hall, Willians, Ferraço e Reigota, que me levaram a entender os narradores como referências da pesquisa, por trazerem das margens modos de pensar e ensinar-aprender sobre um lugar. Por fim, esse olhar nos possibilita criar, por entre as belas narrativas que enredam esta pesquisa, um ambiente contado com suas multiplicidades culturais, que se dão com/no e através do cotidiano. Neste movimento, as histórias contadas nos levam a construir uma noção de ambiente como algo permeável e poroso, constituído de seres – pessoas, outros animais, objetos, lágrimas, restos, rastros – afetos, emoções e tudo aquilo que parece possível de se contar e encontrar.