Título
Educação e visibilidade: a construção de saberes na agenda local do município de Itaboraí
Após a Rio-92 e a mobilização da sociedade em torno do tema desenvolvimento sustentável, a questão que se colocava era como agir para realizá-lo para o século 21. A presente pesquisa é uma investigação sobre os avanços e limites da proposta de ação da Agenda 21 Itaboraí, a partir dos saberes sobre educação ambiental contidos nos documentos (Agendas 21 Global, Brasileira e Local) e produzidos pelas principais lideranças comunitárias. Entendemos que, na área socioambiental, o modo de inserção do Brasil na economia globalizada foi traduzido pela Agenda 21. Em 2007, seu fórum local foi incorporado ao programa de relacionamento do Comperj no município. De acordo com nossa hipótese, compreendemos Agenda 21 como um espaço pedagógico não-formal pautado por premissas e metodologia de resolução de conflitos. A partir do referencial teórico-metodológico marxista, percebemos seu potencial educador para novas sociabilidades que utilizam como estratégia política a participação como condição para "harmonizar" crescimento econômico, proteção da natureza e justiça social. Esse movimento que representa um descolamento da perspectiva de totalidade, ou seja, dos determinantes das relações sociais, produz um processo de repolitização da política, a partir de novas práticas onde os conflitos podem ser supostamente contornados em processos de negociações com sujeitos cada vez mais isolados, setorizados. A presente pesquisa teve como objetivo identificar e conceituar os saberes produzidos pelo chamado terceiro setor (associações de moradores e ONGs). Tomamos como material empírico de análise, principalmente, as concepções de educação ambiental, participação política, consenso, conflitos, empoderamento, desenvolvimento sustentável. Buscamos também comparar as concepções construídas com aquelas propostas pela Educação Ambiental Crítica.