Título

Diagnóstico do uso e ocupação da terra e ocorrência de incêndios na face Capixaba do Parque Nacional do Caparaó

Programa Pós-graduação
Produção Vegetal
Nome do(a) autor(a)
Samia D'angelo Alcuri Gobbo
Nome do(a) orientador(a)
Ricardo Ferreira Garcia
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2013
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

Esta pesquisa, organizada em cinco artigos, teve como objetivo geral identificar o estado de preservação ambiental do PARNA-Caparaó capixaba e compreender como as ações antrópicas contribuem para a degradação. Os objetivos específicos foram caracterizar as propriedades do entorno do PARNA-Caparaó capixaba; conhecer e mapear as práticas de uso da terra e uso do fogo, bem como a percepção ambiental que os agricultores atribuem ao espaço natural e, por fim, apresentar os trabalhos de educação ambiental e preventivos desenvolvidos e praticados pelo ICMBio nestas comunidades. A coleta de dados decorreu de entrevistas junto aos agricultores e aos membros da Brigada de Incêndio, de dados oficiais colhidos das estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Espírito Santo (SEAMA), do Instituto Capixaba de Pesquisa Agropecuária (INCAPER), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), prefeituras municipais e escolas, bem como de observação direta e sistemática das comunidades. Foram gerados mapas temáticos de risco de fogo em relação aos fatores climáticos, de risco de fogo em relação ao uso da terra e em relação à percepção ambiental. Para a geração destes mapas foi utilizado o shapefile dos focos de incêndio ocorridos em 2008, 2009 e 2010, disponibilizados no site do INPE, que apresenta informações sobre risco de fogo observado e risco de fogo previsto. Os dados foram processados com o auxílio do aplicativo computacional ArcGIS, versão 10.1, módulos ArcMap e ArcInfo Workstation. Foi realizada a fotointerpretação das classes ambientais de uso e ocupação da terra para a área de amortecimento do Parque Nacional do Caparaó, face capixaba, utilizando-se aerofotos digitais ortorretificadas na escala 1:35.000, de junho de 2007, com resolução espacial de 1,1 m, nos intervalos espectrais do visível (0,45 – 0,69 ?m) disponibilizadas pelo Instituo Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos - IEMA. Neste caso, foi realizada a digitalização em tela das classes ambientais de uso e ocupação da terra possíveis de provocarem os incêndios florestais baseados no risco de fogo, na escala padrão de 1:2.000. As classes de uso e ocupação da terra processadas foram: eucalipto, fragmento florestal, pastagem, reflorestamento, café e outros que abrangem as seguintes classes: área agrícola, área edificada, área urbana, campo sujo, corpos d'água, formação rochosa, reservatório, solo exposto, capoeira e várzea. Os dados relativos à percepção ambiental foram analisados quali-quantitativamente e os parâmetros foram mensurados por meio da escala Likert. Verificou-se que o modelo de gestão rural familiar atualmente adotado pelas propriedades do entorno do Parque apresenta um universo diversificado, com famílias desprivilegiadas economicamente e famílias com muitos recursos; algumas vivendo isoladas, outras utilizando tecnologia de informação e participativas em organizações sociais. Os fatores climáticos analisados, por si mesmos, não explicam a ocorrência de focos de incêndio, portanto, a alta incidência destes nos meses de agosto e setembro, pode ser o resultado da combinação de fatores climáticos e antropológicos. A fotointerpretação das classes ambientais de uso e ocupação da terra totalizou uma área de 654,95 km², das quais 7,85 km² são de eucalipto, 89,03 km² de fragmento florestal, 314,31 km² de pastagem, 13,01 km² de reflorestamento, 180,42 km² de café e um restante (outros) de 49,71 km². As pastagens ocupam a maior parte da zona de amortecimento, seguidas do plantio do café, do fragmento florestal, ao reflorestamento e eucalipto. O município de Iúna apresenta maior área de fragmento florestal, Ibitirama maior área de pastagem e Divino de São Lourenço apresenta maior área de eucalipto e reflorestamento. Os focos de incêndio, em sua maioria, aconteceram em beiras de estradas, pastagens, capoeira e próximo a fragmentos florestais. Os agricultores se sentem responsáveis pela conservação ambiental e compreendem a importância do PARNA-Caparaó no contexto local. Este fato determina que a sensibilidade ambiental está presente na vida dos agricultores que percebem que o fogo causa sérios danos ao meio ambiente. A Brigada de Incêndio do Parque Nacional do Caparaó mostrou alto grau de comprometimento e sensibilidade na prevenção e no combate aos incêndios florestais. Apesar do trabalho de conscientização, o uso do fogo ainda é comum. A maioria dos incêndios florestais no Parque é de origem criminosa, em locais próximos a estradas, a lavouras de eucalipto e a pastagens. O município de Iúna apresenta maior incidência de incêndio, enquanto nos locais onde se promove a educação ambiental apresentaram baixos índices de incêndios, mostrando-se uma alternativa eficaz..


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