Título
Diagnóstico do uso e ocupação da terra e ocorrência de incêndios na face Capixaba do Parque Nacional do Caparaó
Esta pesquisa, organizada em cinco artigos, teve como objetivo geral identificar o estado de preservação ambiental do PARNA-Caparaó capixaba e compreender como as ações antrópicas contribuem para a degradação. Os objetivos específicos foram caracterizar as propriedades do entorno do PARNA-Caparaó capixaba; conhecer e mapear as práticas de uso da terra e uso do fogo, bem como a percepção ambiental que os agricultores atribuem ao espaço natural e, por fim, apresentar os trabalhos de educação ambiental e preventivos desenvolvidos e praticados pelo ICMBio nestas comunidades. A coleta de dados decorreu de entrevistas junto aos agricultores e aos membros da Brigada de Incêndio, de dados oficiais colhidos das estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Espírito Santo (SEAMA), do Instituto Capixaba de Pesquisa Agropecuária (INCAPER), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), prefeituras municipais e escolas, bem como de observação direta e sistemática das comunidades. Foram gerados mapas temáticos de risco de fogo em relação aos fatores climáticos, de risco de fogo em relação ao uso da terra e em relação à percepção ambiental. Para a geração destes mapas foi utilizado o shapefile dos focos de incêndio ocorridos em 2008, 2009 e 2010, disponibilizados no site do INPE, que apresenta informações sobre risco de fogo observado e risco de fogo previsto. Os dados foram processados com o auxílio do aplicativo computacional ArcGIS, versão 10.1, módulos ArcMap e ArcInfo Workstation. Foi realizada a fotointerpretação das classes ambientais de uso e ocupação da terra para a área de amortecimento do Parque Nacional do Caparaó, face capixaba, utilizando-se aerofotos digitais ortorretificadas na escala 1:35.000, de junho de 2007, com resolução espacial de 1,1 m, nos intervalos espectrais do visível (0,45 – 0,69 ?m) disponibilizadas pelo Instituo Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos - IEMA. Neste caso, foi realizada a digitalização em tela das classes ambientais de uso e ocupação da terra possíveis de provocarem os incêndios florestais baseados no risco de fogo, na escala padrão de 1:2.000. As classes de uso e ocupação da terra processadas foram: eucalipto, fragmento florestal, pastagem, reflorestamento, café e outros que abrangem as seguintes classes: área agrícola, área edificada, área urbana, campo sujo, corpos d'água, formação rochosa, reservatório, solo exposto, capoeira e várzea. Os dados relativos à percepção ambiental foram analisados quali-quantitativamente e os parâmetros foram mensurados por meio da escala Likert. Verificou-se que o modelo de gestão rural familiar atualmente adotado pelas propriedades do entorno do Parque apresenta um universo diversificado, com famílias desprivilegiadas economicamente e famílias com muitos recursos; algumas vivendo isoladas, outras utilizando tecnologia de informação e participativas em organizações sociais. Os fatores climáticos analisados, por si mesmos, não explicam a ocorrência de focos de incêndio, portanto, a alta incidência destes nos meses de agosto e setembro, pode ser o resultado da combinação de fatores climáticos e antropológicos. A fotointerpretação das classes ambientais de uso e ocupação da terra totalizou uma área de 654,95 km², das quais 7,85 km² são de eucalipto, 89,03 km² de fragmento florestal, 314,31 km² de pastagem, 13,01 km² de reflorestamento, 180,42 km² de café e um restante (outros) de 49,71 km². As pastagens ocupam a maior parte da zona de amortecimento, seguidas do plantio do café, do fragmento florestal, ao reflorestamento e eucalipto. O município de Iúna apresenta maior área de fragmento florestal, Ibitirama maior área de pastagem e Divino de São Lourenço apresenta maior área de eucalipto e reflorestamento. Os focos de incêndio, em sua maioria, aconteceram em beiras de estradas, pastagens, capoeira e próximo a fragmentos florestais. Os agricultores se sentem responsáveis pela conservação ambiental e compreendem a importância do PARNA-Caparaó no contexto local. Este fato determina que a sensibilidade ambiental está presente na vida dos agricultores que percebem que o fogo causa sérios danos ao meio ambiente. A Brigada de Incêndio do Parque Nacional do Caparaó mostrou alto grau de comprometimento e sensibilidade na prevenção e no combate aos incêndios florestais. Apesar do trabalho de conscientização, o uso do fogo ainda é comum. A maioria dos incêndios florestais no Parque é de origem criminosa, em locais próximos a estradas, a lavouras de eucalipto e a pastagens. O município de Iúna apresenta maior incidência de incêndio, enquanto nos locais onde se promove a educação ambiental apresentaram baixos índices de incêndios, mostrando-se uma alternativa eficaz..