Título
Comunicação, cultura e linguagem: rádio como instrumento para a prática de educação ambiental na Província do Cunene (República de Angola)
As últimas quatro décadas do século XX foram marcadas pela preocupação dos estudiosos com a degradação ambiental e perda da biodiversidade, principalmente devido à ação humana. A necessidade de conservação e preservação dos ecossistemas que suportam a vida no planeta colocou, desde então, a discussão da problemática ambiental no centro da agenda política em nível local e internacional. A velocidade com que são explorados os recursos naturais principalmente nos países em desenvolvimento coloca em perigo a biodiversidade dessas nações que tentam se desenvolver a qualquer custo. Para atenuar esta crise, difundiu-se a partir da década de 1980 uma nova proposta de desenvolvimento, visando à sustentabilidade. Este é considerado como um compromisso intra e intergeracional, pelo qual as gerações atuais devem utilizar os recursos naturais para satisfazer as suas necessidades básicas, sem prejudicar as futuras gerações. A ideia de desenvolvimento sustentável torna-se possível a partir do momento em que a população toma consciência dos impactos que causa ao ambiente e que podem colocar em risco o equilíbrio ecológico e a qualidade de vida humana. Neste caso, os meios de comunicação apresentam-se como ferramentas educativas para a orientação da população tanto nos centros urbanos quanto rurais sobre os problemas ambientais ali presentes. No entanto, muitas estratégias de educação ambiental são condenadas ao fracasso, por serem produzidas a partir das metrópoles, para um público heterogêneo e sem levar em consideração as diferenças e realidades locais. O presente trabalho consiste em uma pesquisa etnográfica e tem como objetivo desenvolver uma proposta de educação ambiental difundida por meio de rádio para a população da Província do Cunene (República de Angola). Tem ainda a perspectiva de aplicação posterior em outras regiões do país, considerando-se as especificidades regionais em seus aspectos étnicos, culturais, linguísticos, socioeconômicos e ambientais. O rádio foi o meio de comunicação escolhido por ser o único que emite a partir da Província do Cunene e, também, pela sua capacidade de influenciar a mudança de comportamento da audiência, de forma individual e coletiva. Foram produzidos quatro programas pilotos (dois em português e dois em Oshiwambo - língua falada na província do Cunene e norte da República da Namíbia), tendo como públicos-alvo jovens e adolescentes em idade escolar, falantes das duas línguas.