Título
A influência dos livros didáticos na formação ambiental de professores: o curso normal do Instituto de Educação Governados Roberto Silveira
Pesquisas sobre livros didáticos apontam para vários problemas na abordagem da temática ambiental, de caráter transversal e interdisciplinar. Neste sentido, esta pesquisa objetiva analisar como a temática ambiental é tratada no Curso de Formação de Professores, modalidade normal, em nível médio, enfatizando as concepções de desenvolvimento sustentável, meio ambiente, problema ambiental e Educação Ambiental (EA), presentes nos livros didáticos das disciplinas de Biologia, Geografia e História, respectivamente intitulados: Biologia para a Nova Geração, Território e Sociedade no Mundo Globalizado e História, do 1º e 2º anos, do Instituto de Educação Governador Roberto Silveira (IEGRS), unidade escolar da rede estadual de ensino, em Duque de Caxias (RJ). Este estudo pauta-se no paradigma da teoria crítica, em autores que consideram a categoria trabalho como condição geral que estabelece a relação entre sociedade e natureza e, no sentido da práxis, como atividade humana transformadora do mundo e do próprio homem; que defendem uma concepção de sustentabilidade pautada na justiça social; que consideram a relação homem-natureza como dialética, pois entendem que a questão ambiental envolve as dimensões social, cultural e econômica; que percebem na nossa forma de produzir e consumir a raiz da desigualdade/exclusão social e da degradação ambiental e que entendem a EA em uma perspectiva crítico-transformadora. Adotamos como procedimentos metodológicos a análise documental e o levantamento bibliográfico. Após análise das coleções selecionadas, constatamos que em relação à concepção de meio ambiente, os autores dos livros de Biologia e Geografia entendem existir uma relação de interdependência ou relação dialética homem-meio ambiente, mediada pelo trabalho. O livro de História apresenta uma concepção dicotômica (dualismo cartesiano) e antropocêntrica na relação homem-meio ambiente. Nos livros didáticos de Biologia e História há o predomínio de uma concepção de desenvolvimento sustentável pautada na eficiência, apontando, exclusivamente, as soluções técnicas e econômicas como caminho para a superação da degradação ambiental. A relação sociedade-meio ambiente é discutida nos livros de Geografia, os autores oscilam entre as matrizes discursivas da eficiência e da equidade, exigindo em alguns pontos reformulações e revisões por parte dos autores, o mesmo ocorre com a categoria problema ambiental. Em relação a esta categoria, nos livros de Biologia e História, os autores negligenciam a compreensão do papel da sociedade como causa e solução dos principais problemas socioambientais. Na coleção de História percebe-se a ausência de práticas educativas em EA, enquanto que na coleção de Biologia oscilam aspectos conservacionistas e críticos de EA. O aspecto crítico fundamenta as atividades complementares dos livros de Geografia, bem como as sugestões constantes do manual do professor, propondo uma abordagem, tendencialmente, crítica em EA. Sugerimos aos autores de Biologia e História a inclusão de textos e atividades relacionadas com as questões ambientais, de modo a permitir aos alunos em formação, desenvolver uma visão crítica a respeito da temática ambiental o que será de enorme valia para sua prática docente e cidadã.