Título

A Educação Ambiental nos movimentos juvenis: diálogos com lideres de sete grupos em Mato Grosso

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Fernanda Domingos da Silva
Nome do(a) orientador(a)
Regina Aparecida da Silva
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2013
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

O trabalho tem por objetivo investigar se diferentes movimentos juvenis mato-grossenses realizam ações de educação ambiental. A Educação Ambiental deve considerar as relações entre seres humanos, sociedade e natureza, desta forma, para conduzir a pesquisa nos inspiramos em sua tríade fenomenológica, composta pelas dimensões Eu-Outro-Mundo. Na dimensão Eu, investigamos as identidades das pessoas entrevistadas e as suas percepções sobre o que é ser jovem; na dimensão Outro, vislumbramos as percepções e ações sobre política; e, na dimensão Mundo, buscamos compreender as percepções dessas pessoas e de seus movimentos, relacionadas a meio ambiente (MA) e Educação Ambiental (EA), assim como as ações porventura existentes. Para materializar a pesquisa, entre outubro de 2011 e junho de 2012, entrevistamos lideranças de sete movimentos juvenis, ligados a diferentes temáticas: Favela Ativa, UBES, CJ Juína, GRADELOS, Juventude do PT, FETAGRI e PJ de Alta Floresta. Como metodologia, empregamos o estudo de caso coletivo, que possibilita estudar diferentes casos para a compreensão de um assunto ou fenômeno. Em relação à dimensão Eu, foi predominante entre as pessoas entrevistadas a compreensão da juventude enquanto um estado de espírito. Isso revelou que a força das imagens plasmadas sobre a juventude, especialmente das que a associam à militância, foi mais importante para a identificação dessas pessoas, do que a sua delimitação a uma faixa etária, pois as suas identidades são construídas essencialmente na militância. De fato, observamos uma profunda relação entre as suas identidades e às de seus próprios grupos de atuação. Além disso, entre essas pessoas foi notória a participação em mais de um movimento, simultaneamente, e também a atuação em mais de uma frente dentro do próprio movimento, ou em diferentes frentes fora do movimento, mas diretamente relacionadas à sua causa. Quanto a isso, consideramos que a coerência em suas identidades provém da compreensão de que a causa pela qual atuam pode se manifestar de diferentes formas, o que torna possível atuarem em mais de um movimento, desde que essa atuação esteja em consonância com as suas identidades primárias. Quanto à dimensão Outro, todas as lideranças consideraram que as ações de seus grupos têm relação com política, tendo sido predominante a percepção de política como uma forma de diálogo e construção coletiva de algo. Na dimensão Mundo as pessoas entrevistadas apresentaram percepções variadas sobre MA e EA. Consoante às respectivas lideranças, em relação ao MA, seriam cinco os grupos atuantes (Favela Ativa, CJ, FETAGRI, PJ, UBES), e em relação à EA, seriam quatro grupos (Favela Ativa, CJ, FETAGRI, PJ). Entretanto, apenas o CJ e a FETAGRI trabalhavam a temática ambiental de forma realmente integrada às suas ações. Consideramos que os motivos que levam esses grupos a realizar, não realizar, ou não realizar efetivamente ações em EA, se devem a um entrelaçar das percepções e das identidades desses movimentos, que influenciam a forma como atuam sobre a realidade. O envolvimento de diferentes movimentos juvenis com a temática ambiental, e com a EA, pode ser potencializado pela transversalização da EA nas escolas, e pela sua interconexão com grupos que possam contribuir para a sua ambientalização.


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Contexto Educacional