Título

A Educação Ambiental no ensino técnico: trabalho e interdisciplinaridade

Programa Pós-graduação
Educação para a Ciência
Nome do(a) autor(a)
Carlos Eduardo Goncalves
Nome do(a) orientador(a)
Marilia Freitas de Campos Tozoni-Reis
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2013
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

Ao longo de duas décadas, notamos uma grande projeção do ensino técnico no Estado de São Paulo, concomitante à aceleração do processo de abertura de mercado, resultado do modelo neoliberal que fundamenta a organização econômica da sociedade brasileira desde a década de noventa do século XX. Esta atual fase do modo de produção capitalista é concebido aqui como a origem da crise ambiental. Neste contexto, o objetivo deste estudo é identificar e analisar as possibilidades e os obstáculos encontrados pelos professores quanto à inserção da educação ambiental em uma escola de ensino técnico por meio da interdisciplinaridade. Optou-se por uma pesquisa de campo de cunho qualitativo na ETEC Orlando Quagliato, situada no município de Santa Cruz do Rio Pardo - SP. Uma proposta de formação continuada de professores através do ambiente virtual de aprendizagem, entrevistas semiestruturadas com professores, coordenadores e o diretor, além da visita a uma feira tecnológica, foram algumas das estratégias utilizadas para a coleta de dados. O processo inicial da coleta de dados apontou que a prática pedagógica dos professores sobre a educação ambiental transita entre as visões naturalista e recursista; o processo de formação continuada oferecido ao grupo de professores poderia superar a visão ingênua pela visão crítica, porém, os professores não concluíram o processo de formação, tampouco elaboraram uma proposta interdisciplinar de educação ambiental na escola. Os dados indicam que há grandes lacunas na formação pedagógica inicial e permanente dos professores, isto é, muitos deles são bacharéis que atuam como docentes sem nenhuma formação para isso. Observou-se também, como resultado do processo de ensino, a apropriação pelo aluno de conhecimentos fragmentados, transmitidos de forma mecânica. Além disto, as dificuldades de participação dos professores na proposta de educação continuada, parte deste estudo, deu-se principalmente pela falta de tempo para realização das atividades da plataforma virtual. Tudo indica que isso foi ocasionado pelas grandes jornadas de trabalho, dentro e fora da sala de aula, nas quais os professores são submetidos, principalmente as dificuldades relacionadas à preparação de aulas e obtenção de materiais pedagógicos, exaustão física e mental, dentre outras situações que podem caracterizar um processo de proletarização do trabalho docente. Conclui-se que a construção da educação ambiental crítica nas condições verificadas no estudo dependem da valorização do professor enquanto ser onilateral, capaz de agir e refletir sobre sua prática, na busca da transformação da sociedade.


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