Título
A Educação Ambiental no ensino técnico: trabalho e interdisciplinaridade
Ao longo de duas décadas, notamos uma grande projeção do ensino técnico no Estado de São Paulo, concomitante à aceleração do processo de abertura de mercado, resultado do modelo neoliberal que fundamenta a organização econômica da sociedade brasileira desde a década de noventa do século XX. Esta atual fase do modo de produção capitalista é concebido aqui como a origem da crise ambiental. Neste contexto, o objetivo deste estudo é identificar e analisar as possibilidades e os obstáculos encontrados pelos professores quanto à inserção da educação ambiental em uma escola de ensino técnico por meio da interdisciplinaridade. Optou-se por uma pesquisa de campo de cunho qualitativo na ETEC Orlando Quagliato, situada no município de Santa Cruz do Rio Pardo - SP. Uma proposta de formação continuada de professores através do ambiente virtual de aprendizagem, entrevistas semiestruturadas com professores, coordenadores e o diretor, além da visita a uma feira tecnológica, foram algumas das estratégias utilizadas para a coleta de dados. O processo inicial da coleta de dados apontou que a prática pedagógica dos professores sobre a educação ambiental transita entre as visões naturalista e recursista; o processo de formação continuada oferecido ao grupo de professores poderia superar a visão ingênua pela visão crítica, porém, os professores não concluíram o processo de formação, tampouco elaboraram uma proposta interdisciplinar de educação ambiental na escola. Os dados indicam que há grandes lacunas na formação pedagógica inicial e permanente dos professores, isto é, muitos deles são bacharéis que atuam como docentes sem nenhuma formação para isso. Observou-se também, como resultado do processo de ensino, a apropriação pelo aluno de conhecimentos fragmentados, transmitidos de forma mecânica. Além disto, as dificuldades de participação dos professores na proposta de educação continuada, parte deste estudo, deu-se principalmente pela falta de tempo para realização das atividades da plataforma virtual. Tudo indica que isso foi ocasionado pelas grandes jornadas de trabalho, dentro e fora da sala de aula, nas quais os professores são submetidos, principalmente as dificuldades relacionadas à preparação de aulas e obtenção de materiais pedagógicos, exaustão física e mental, dentre outras situações que podem caracterizar um processo de proletarização do trabalho docente. Conclui-se que a construção da educação ambiental crítica nas condições verificadas no estudo dependem da valorização do professor enquanto ser onilateral, capaz de agir e refletir sobre sua prática, na busca da transformação da sociedade.