Título
A formação socioambiental de jovens filhos de pescador: percepções e relações culturais
As questões sociambientais têm se configurado enquanto objeto de pesquisa amplamente estudadas por aqueles que almejam compreender de que maneira são estabelecidas as relações entre os seres humanos, os recursos físico-naturais e o entorno. Para tanto, destaca-se a relevância de ter a percepção como procedimento investigativo essencial para a compreensão das múltiplas maneiras que as pessoas entendem e se relacionam com o entorno. O objetivo desta dissertação é analisar a percepção de filhos de pescadores do povoado Rua da Palha/Sergipe, acerca das relações socioambientais estabelecidas na comunidade. Ressalta-se tratar-se de um local formado em sua maioria por remanescentes de quilombolas que têm na pesca a principal atividade econômica e de sustento familiar. O trabalho de campo foi desenvolvido entre os meses de maio e julho de 2012 com a realização de entrevistas semiestruturadas com pescadores e com jovens filhos de profissionais da pesca que participaram também de seis oficinas que tiveram a educomunicação como ferramenta utilizada para a transmissão de conhecimentos. Mediante as atividades realizadas com os jovens, foi possível coletar dados para posterior análise da realidade socioambiental percebida in lócus, a citar o posicionamento deles diante das práticas culturais características dos quilombolas e as perspectivas destes sujeitos no que se refere ao futuro profissional, destacando o desejo que têm por ingressar em atividades de trabalho diferentes da pesca e a importância que atribuem à educação formal como essencial para tal feito. Enquanto relevância deste estudo, destaca-se o interesse dos envolvidos pela continuidade das atividades. Assim, concluiu-se acreditando na importância da investigação que faz uso da percepção ambiental uma vez que ela pode contribuir com o entendimento mais contextualizado do entorno, respeitando as especificidades dos sujeitos envolvidos, estimulando novos conhecimentos e, consequentemente, diferentes formas de interação socioambiental. Desta maneira, a percepção contribui também para projetos de Educação Ambiental que objetivem trabalhar a prática educativa de maneira participativa, favorecendo a um trabalho de igualdade de condições entre os envolvidos, visando uma perspectiva interdisciplinar de ação.