Título
Políticas públicas de formação de educadores ambientais: análise do processo de constituição do coletivo educador de São Carlos, Araraquara, Jaboticabal e região - Cescar
Esta pesquisa teve como foco de estudo os cursos de extensão e especialização realizados pelo Coletivo Educador São Carlos, Araraquara, Jaboticabal e Região (Cescar). Este coletivo foi constituído no contexto do Programa de Formação de Educadoras/es Ambientais (Profea), política pública formulada no âmbito do departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (DEA/MMA). O Profea tem entre os seus principais objetivos fortalecer ações e reflexões realizadas regionalmente por instituições que desenvolvem e/ou apóiam trabalhos na área ambiental, promovendo assim o enraizamento da Educação Ambiental (EA) por meio do estabelecimento de uma rede de coletivos educadoras/es. As perguntas que queremos responder nesta pesquisa, dizem respeito às potencialidades, angústias e dificuldades relacionadas à implementação e repercussão desses cursos, segundo os três eixos metodológicos do ProFEA: metodologia PAP (pessoas que aprendem participando, pesquisa-ação-participante), comunidades interpretativas e de aprendizagem e pedagogia da práxis, segundo a ótica da equipe coordenadora e dos cursistas. Foram utilizados os referenciais metodológicos da abordagem qualitativa; as narrativas autobiográficas; o grupo focal e, a Análise Textual Discursiva. A avaliação procurou ir além de compreender o processo de desenvolvimento da proposta do Cescar e para isso procurou levantar as potencialidades e os limites da aplicação de alguns dos princípios do Profea com relação a práxis e participação dialógica/articulação e metodologia PAP, alteridade e capilaridade/enraizamento, identidade/pertencimento e autogestão/continuidade, buscando encontrar novas orientações/ações para incrementar o processo formativo. Desta forma observamos que a disposição dos participantes em articular teoria e prática mostra que o grupo estava em sintonia com os princípios do Profea, porém faltou tempo para aprofundar a base conceitual. Com relação à participação dialógica e articulação, esperava-se que fosse uma oportunidade para sistematizar ações e projetos institucionais já existentes, porém o que se observou foi uma dificuldade de engajamento e articulação, causado também pela amplitude do recorte geográfico e baixo recurso financeiro e humano. Desta forma observa-se a necessidade de se rever o recorte geográfico de acordo com a disponibilidade de recursos e periodicamente, o compromisso de cada instituição. A metodologia PAP se mostrou positiva na medida em que se observou nitidamente que houve aprendizagens mútuas entre os participantes. Foram encontradas dificuldades individuais no que diz respeito à construção do processo democrático e transparente e a busca de equilíbrio entre condução centralizada/diretiva e compartilhada/participativa. Outras dificuldades, também neste processo, se referem ao princípio da alteridade, pois as exigências do trabalho coletivo, os diferentes ritmos, graus de envolvimento e de exigências de si e do outro envolvem mudanças de valores no sentido de aprender a respeitar a individualidade e limites de cada participante. Neste sentido existe a necessidade de uma maior atenção na gestão de conflitos e no desenvolvimento de atividades que oportunizem o desenvolvimento de relações afetivas mais profundas. Consideramos que o coletivo educador, enquanto estratégia para implementação das políticas públicas, é uma proposta audaciosa, mas acreditamos que conseguimos iniciar esse processo no território de abrangência do Cescar e que a experiência vivenciada aqui poderá contribuir para a sua implementação em outras localidades.