Título

Políticas públicas de formação de educadores ambientais: análise do processo de constituição do coletivo educador de São Carlos, Araraquara, Jaboticabal e região - Cescar

Programa Pós-graduação
Ciências da Engenharia Ambiental
Nome do(a) autor(a)
Silvia Aparecida Martins dos Santos
Nome do(a) orientador(a)
Haydée Torres de Oliveira
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2010
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

Esta pesquisa teve como foco de estudo os cursos de extensão e especialização realizados pelo Coletivo Educador São Carlos, Araraquara, Jaboticabal e Região (Cescar). Este coletivo foi constituído no contexto do Programa de Formação de Educadoras/es Ambientais (Profea), política pública formulada no âmbito do departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (DEA/MMA). O Profea tem entre os seus principais objetivos fortalecer ações e reflexões realizadas regionalmente por instituições que desenvolvem e/ou apóiam trabalhos na área ambiental, promovendo assim o enraizamento da Educação Ambiental (EA) por meio do estabelecimento de uma rede de coletivos educadoras/es. As perguntas que queremos responder nesta pesquisa, dizem respeito às potencialidades, angústias e dificuldades relacionadas à implementação e repercussão desses cursos, segundo os três eixos metodológicos do ProFEA: metodologia PAP (pessoas que aprendem participando, pesquisa-ação-participante), comunidades interpretativas e de aprendizagem e pedagogia da práxis, segundo a ótica da equipe coordenadora e dos cursistas. Foram utilizados os referenciais metodológicos da abordagem qualitativa; as narrativas autobiográficas; o grupo focal e, a Análise Textual Discursiva. A avaliação procurou ir além de compreender o processo de desenvolvimento da proposta do Cescar e para isso procurou levantar as potencialidades e os limites da aplicação de alguns dos princípios do Profea com relação a práxis e participação dialógica/articulação e metodologia PAP, alteridade e capilaridade/enraizamento, identidade/pertencimento e autogestão/continuidade, buscando encontrar novas orientações/ações para incrementar o processo formativo. Desta forma observamos que a disposição dos participantes em articular teoria e prática mostra que o grupo estava em sintonia com os princípios do Profea, porém faltou tempo para aprofundar a base conceitual. Com relação à participação dialógica e articulação, esperava-se que fosse uma oportunidade para sistematizar ações e projetos institucionais já existentes, porém o que se observou foi uma dificuldade de engajamento e articulação, causado também pela amplitude do recorte geográfico e baixo recurso financeiro e humano. Desta forma observa-se a necessidade de se rever o recorte geográfico de acordo com a disponibilidade de recursos e periodicamente, o compromisso de cada instituição. A metodologia PAP se mostrou positiva na medida em que se observou nitidamente que houve aprendizagens mútuas entre os participantes. Foram encontradas dificuldades individuais no que diz respeito à construção do processo democrático e transparente e a busca de equilíbrio entre condução centralizada/diretiva e compartilhada/participativa. Outras dificuldades, também neste processo, se referem ao princípio da alteridade, pois as exigências do trabalho coletivo, os diferentes ritmos, graus de envolvimento e de exigências de si e do outro envolvem mudanças de valores no sentido de aprender a respeitar a individualidade e limites de cada participante. Neste sentido existe a necessidade de uma maior atenção na gestão de conflitos e no desenvolvimento de atividades que oportunizem o desenvolvimento de relações afetivas mais profundas. Consideramos que o coletivo educador, enquanto estratégia para implementação das políticas públicas, é uma proposta audaciosa, mas acreditamos que conseguimos iniciar esse processo no território de abrangência do Cescar e que a experiência vivenciada aqui poderá contribuir para a sua implementação em outras localidades.


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