Título

Mulheres, manguezais e a pesca no estuário do rio Mamanguape, Paraíba.

Programa Pós-graduação
Desenvolvimento e Meio Ambiente
Nome do(a) autor(a)
Michele da Silva Pimental Rocha
Nome do(a) orientador(a)
José da Silva Mourão
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2010
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Apesar do importante papel desenvolvido pelas mulheres no manejo e no uso dos recursos naturais, suas atividades raramente têm sido valorizadas e, consequentemente, poucas políticas de intervenção têm sido desenvolvidas para apoiar seu potencial produtivo. Nesta perspectiva, o estudo tem por objetivo estudar a apropriação e o uso dos recursos faunísticos pelas mulheres do estuário do rio Mamanguape, de modo a registrar o papel delas na cadeia produtiva pesqueira local. Para obtenção dos dados, utilizou-se uma combinação de métodos qualitativos e quantitativos. Dentre os métodos qualitativos, destacam-se: entrevistas livres, semi-estruturadas, bola de neve ( snow Ball ) e observação direta; os dados obtidos foram analisados por meio da interpretação do discurso dos entrevistados, com base no modelo de união das diversas competências individuais. Os dados quantitativos foram analisados por meio de estatística simples e do cálculo do Valor de Uso (VU) e pela Concordância do Uso Principal corrigido (CUPc) para as espécies citadas. Foram entrevistadas 30 mulheres, com idades entre 16 e 55 anos. No tocante ao uso dos recursos, um total de 41 espécies (peixes = 30; crustáceos = 08; moluscos = 03) são utilizados principalmente para consumo local e comercialização; as principais espécies citadas foram o bagre cambueiro <i>Genidens genidens</i> (VU=0,7), siri cagão <i>Callinectes exasperatus</i> (VU=0,73) e o marisco <i>Anomalocardia brasiliana</i> (VU=0,46), sendo também as espécies referidas com maior CUPc (100%, 70,3% e 92,8% respectivamente) para consumo local. A respeito dos aspectos de gênero e trabalho a maioria das entrevistadas se reconhece como pescadoras/pescadeiras (56,25%), possuindo uma ampla experiência na atividade, cuja aprendizagem é dada transgeracionalmente. As entrevistadas apontaram a existência de uma divisão de trabalho entre homens e mulheres (75%), relacionados principalmente aos locais de pesca e instrumentos de trabalho. A jornada diária de trabalho é intensa e contínua (05 horas por dia e 06 dias por semana); além da coleta do pescado e da agricultura, essas mulheres estão presentes em todas as etapas cadeia produtiva do pescado, sendo responsáveis também pelo beneficiamento e venda do produto; adicionalmente, dividem seu tempo entre os cuidados com a família, a educação dos filhos e as taferas domésticas. Por meio da pesca essas mulheres são responsáveis pelo sustento da família, atuando como as principais provedoras do lar. De um modo geral as famílias estudadas apresentam baixa renda e as condições de saúde, educação e saneamento básico são precárias. Assim, uma análise voltada para as relações de gênero nas comunidades pesqueiras e para o manejo dos recursos naturais é imprescindível de modo a guiar estudos posteriores que visem à formulação de políticas publicas e planos de manejo que promovam a eqüidade da participação feminina e a valorização de seu trabalho como pescadora, bem como a conservação do meio ambiente.


Palavras-chave

Classificações

Contexto Educacional