Título

Educação ambiental crítica: enfocando o imaginário de estudantes do ensino fundamental

Programa Pós-graduação
Educação Cientifica e Tecnológica
Nome do(a) autor(a)
Gabriela de Leon Nobrega Reses
Nome do(a) orientador(a)
Suzani Cassiani
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2010
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Na Educação Ambiental Crítica (EAC) é necessário ter, como ponto de partida, a leitura e concepções que os sujeitos apresentam sobre o seu meio ambiente antes de se construir uma proposta educativa. Por isso, nesta pesquisa, busquei compreender alguns aspectos das condições de produção do imaginário dos estudantes da sétima série do ensino fundamental, sobre o ambiente em que vivem, através de análises de discursos construídos em um processo de Educação Ambiental Crítica. A escola fica localizada em uma comunidade carente da cidade de São José/SC. Para a realização dessas análises foi utilizada a Análise de Discurso (AD) da escola francesa como referencial teórico/metodológico através das obras de Eni P. Orlandi, produzidas no Brasil baseadas nos trabalhos de Michael Pêcheux. O processo de EAC foi divido em duas etapas. Na primeira etapa buscou-se conhecer o imaginário dos alunos antes de se encaminhar uma reflexão sobre as problemáticas ambientais da comunidade. Já na segunda, após esta reflexão, buscou-se compreender, também através da análise do imaginário dos estudantes, se ocorreram ampliações de sentidos a respeito do local em que vivem e as condições de produção que encaminharam para esta ampliação. Também procurei indicar caminhos e proposições que pudessem contribuir para o ensino de ciências e intervenções de Educação Ambiental, na formação de alunos críticos. Os primeiros resultados sinalizaram a reprodução de discursos midiáticos, que assumem uma postura não politizada, imediatista, catastrófica e de culpabilização do ser humano sobre as questões ambientais. As responsabilidades do poder público e de outras instituições foram silenciadas. Ao analisar o imaginário dos sujeitos foi possível compreender que os alunos percebiam as problemáticas ambientais, mas assumiam uma postura fatalista sobre estas questões. Pode-se perceber que os sujeitos encaravam os problemas como características que identificam a comunidade, naturalizando-os. A violência se configurou como uma das condições de produção dos discursos e dos sentidos que os alunos possuem sobre o seu ambiente. Ela também constitui a identidade dos estudantes e a forma com que eles se relacionam com os outros, com eles mesmos e com o meio ambiente. Os discursos dos alunos, construídos na segunda etapa após as discussões ocorridas durante o processo de EAC, diferenciaram-se dos discursos construídos na primeira etapa por terem questionamentos, argumentos e críticas. Este fato demonstra o potencial da EAC na formação dos sujeitos. A escrita se revelou como umas das formas de realizar a Educação Ambiental Crítica já que o sujeito está, de alguma maneira, inscrito no texto que produz. E quando os sujeitos assumem a autoria eles historicizam o seu dizer e revelam a forma como se relacionam com o mundo. A problematização e a dialogicidade, que guiaram todo o processo de Educação Ambiental, foram as principais condições que viabilizaram estes resultados.