Título

Educação do campo e práticas educativas de convivência com o semiárido: a escola Família Agrícola Dom Fragoso

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Beatriz Helena Oliveira de Mattos
Nome do(a) orientador(a)
João Batista de Albuquerque Figueiredo
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2010
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Esta tese apresenta uma pesquisa qualitativa sobre os processos educativos gerados na busca pela convivência com o semiárido brasileiro- SAB. A proposta de convivência com o SAB aponta o fracasso da lógica de combate à seca, como meio de fixar e integrar o SAB no contexto da nação. Nela, o processo de rejeição ao ecossistema presente na lógica do combate à seca, vem a ser substituído por uma postura crítica de compreensão, com base numa relação de respeito às coisas, pelo que elas são, pelo que possuem de intrínseco e que tenta e quer aprender e apreender a sua lógica interna. Portanto, parte-se do pressuposto de que é, além de possível, conveniente e pertinente conviver com a seca e com o SAB, através de vivências e de práticas solidárias de educação. E, embora haja o reconhecimento de que a proposta de convivência não esteja pronta, existe uma ideia do conjunto dos elementos que a compõem e do sentido que compreende a proposta, cujo elemento fundante reside na unidade entre humanidade e natureza, explicitando a centralidade da relação com a natureza como elemento organizador da vida social e de todo a sociabilidade no SAB. A educação é considerada o elemento central e estruturante da proposta de convivência com o SAB, em função do seu alcance e poder de difusão ideológico e cultural, que permite trabalhar a mudança de leitura de mundo, de valores e de ideias de representação social da natureza dominante. Paulo Freire nos lembra que se a educação não pode tudo, porém sem ela não dá para pensar uma nova sociedade justa e equânime. E, se a escola ainda reproduz uma visão do SAB, apresentando-o como lugar inviável, com precárias condições de vida, ressaltando os preconceitos e os estereótipos em torno dele e de quem nele vive, ela é, também, um espaço privilegiado e lócus de construção do conhecimento. Pelo alcance que possui, pode propiciar uma reflexão no e sobre o universo escolar, que viabilize um novo diálogo sobre a relação humanidade-natureza, tecendo, junto, o fio do novo paradigma para aprender, reaprender a viver e conviver no SAB. A pesquisa objetivou compreender como o projeto político pedagógico da escola Família Agrícola Dom Fragoso, localizada no município de Independência, relaciona e incorpora os princípios e os fundamentos da proposta de convivência com o semiárido da Articulação no Semiárido Brasileiro ? ASA, na contextualização dos seus processos e práticas educativas. A experiência educativa da escola vem promovendo a ampliação do espaço público para o debate político sobre a convivência com o semiárido e a contextualização da educação dentro dos princípios da pedagogia da convivência com o SAB. A análise dos resultados nos revela que os/as estudantes da EFA Dom Fragoso levam os saberes sobre a convivência como uma dádiva a ser transportada, que, ao migrar, se espalha, vai para as escolas públicas do campo, da cidade, vai para as comunidades, invade os sindicatos rurais, ocupa novos espaços e participa como um dos protagonistas da grande rede de relações e de sociabilidade presentes, atualmente, no SAB. O semiárido pode ser interpretado como o lugar de todos nós, humanos e não humanos, que habitamos o planeta Terra. A sua singularidade pode ser lida como uma metáfora para se pensar um mundo novo, uma terra prometida e uma humanidade nova cujo trabalho da educação e da pedagogia da convivência nos leva a crer num futuro para esse forte, adorável e velho planeta, desde que se consagre a celebração do Contrato Natural.


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