Título
Concepções e práticas de Educação Ambiental: uma análise a partir das matrizes teóricas e epistemológicas presentes em escolas estaduais de ensino fundamental de Santa Maria-RS
A Educação Ambiental (EA) apresenta diferentes concepções, que refletem projetos distintos de sociedade; de um lado, uma concepção crítica/emancipatória/popular baseada na educação dialógica e libertadora de Paulo Freire (1996); a outra, conforme Bruguer (2004), adestradora, pois apenas ensina a cuidar do ambiente. A ausência de uma análise crítica, histórica, política e social da questão ambiental são alguns dos fatores que influenciam o contexto da crise ambiental. Esta fragmentação contribui muito nos diferentes modos dos professores entenderem e produzirem a EA. Nesta dissertação, a EA é entendida como um instrumento de transformação social na busca de um mundo melhor, mais justo com qualidade de vida e justiça social e ambiental. O objetivo principal desta pesquisa foi o de identificar e discutir as matrizes teóricas e epistemológicas associadas às práticas docentes em EA, desenvolvidas em escolas estaduais de ensino fundamental completo localizadas na zona urbana no município de Santa Maria/RS. Para o desenvolvimento da pesquisa utilizou- se uma amostra de cinco escolas da rede estadual de ensino e, como sujeitos, representantes da 8 coordenadoria de educação, gestores das escolas (direção/e ou vicedireção, coordenação) e professores do ensino fundamental das escolas. A pesquisa utilizou uma metodologia qualitativa, buscando problematizar as práticas de educação ambiental realizadas nas escolas, a partir da análise de conteúdo dos documentos produzidos e da análise do discurso dos sujeitos envolvidos. A análise dos resultados permitiu concluir que a matriz predominante que está orientando as práticas em EA nas escolas é a matriz tradicional, uma vez que: (a) os professores demonstram não compreender/aplicar a transversalidade proposta na EA; (b) observa-se não existir capilaridade da Política Nacional de Educação Ambiental/Pnea até as salas de aula; (c) gestores e professores traduzem, no seu discurso, uma compreensão de EA estritamente vinculada às práticas de conservação de recursos naturais; (d) os projetos políticos pedagógicos (PPP) das escolas não indicaram espaços-tempos adequados ao desenvolvimento de percepções e práticas integradoras e transformadoras da realidade socioambiental dos alunos. Diante disso, recomenda-se: (i) maior disponibilidade de tempo e recursos materiais para os gestores da EA na 8 CRE, (ii) comprometimento e formação para os gestores e professores das escolas; (iii) PPP que possua orientações claras para práticas em EA integradoras; (iv) condições adequadas de trabalho aos professores.