Título
Práticas pedagógicas interculturais na tríplice fronteira Brasil, Colômbia e Peru: um estudo na Escola Estadual Marechal Rondon
Este trabalho é um estudo na Escola Estadual Marechal Rondon, situada na área da tríplice fronteira internacional de Brasil, Colômbia e Peru, no município de Tabatinga/AM. O objetivo maior é investigar e analisar, através dos discursos de professores e estudantes e das observações, as práticas pedagógicas desenvolvidas em salas de aula, num contexto que se pressupõe o entrelaçamento de diferentes culturas. Os sujeitos protagonistas dessa pesquisa são a diretora, professores e estudantes. A pesquisa é qualitativa, com a abordagem etnográfica, caracterizada fundamentalmente por um contato direto do pesquisador com a situação pesquisada (André, 1995). Os procedimentos metodológicos envolvem dados qualitativos. Para a coleta das informações utilizamos entrevistas semi-estruturadas, observações, rodas de conversa, reuniões e análise documental do plano de ação, da proposta curricular, e interpretação e análise dos discursos dos sujeitos da pesquisa. O foco teórico parte da perspectiva intercultural, que reconhece e assume a multiplicidade de práticas culturais, que se encontram e se confrontam na interação entre diferentes sujeitos de diferentes culturas (Fleuri, 2001), cuja ação educativa/prática pedagógica é aquela que põe em pauta a defesa e valorização de práticas pedagógicas interculturais, que contemplem a diversidade e as identidades - artísticas, linguísticas, étnicas, religiosas, sexuais e culturais - dos alunos (Candau, 1998). As quais são vivenciadas cotidianamente no espaço escolar. Nessa perspectiva, embasamos esta análise nos estudos de Fleuri, Candau e Walsh, com o enfoque para as categorias de análise: a) a interculturalidade crítica na perspectiva pedagógica da relação entre as culturas; b) as práticas pedagógicas,– temas de estudo, métodos, estratégias/técnicas de ensino, como elementos auxiliares da aprendizagem; c) o “outro” como sujeito da interculturalidade. Nesse sentido, a pesquisa apontou, entre outros aspectos, que a presença dos diferentes sujeitos e culturas no contexto escolar, e especificamente nas salas de aula, é ignorada tanto nos temas escolares estudados, quanto nas práticas educacionais pedagógicas. Portanto, é necessária uma construção coletiva de uma proposta de educação, e, consequentemente, de se “ensinar e aprender” direcionadas a processos de transformação social, que desconstrua situações de opressão e valorize pressupostos, que combatam a ideologia de marginalização de sujeitos e/ou grupos de pessoas consideradas “diferentes”. E tudo isso com base numa pedagogia crítica e libertadora.