Título
Cartografia do imaginário: a dimensão poética e fenomenológica da educação ambiental
Sob a perspectiva da Educação Ambiental, o objetivo da pesquisa é apresentar um estudo bibliográfico do entrelaçamento da poética surrealista de Manoel de Barros e a fenomenologia do imaginário de Gaston Bachelard. Trata-se de uma proposta em vias de uma educação pela sensibilidade, considerando a subjetividade como elemento indispensável para formação do ser humano, reivindicando, dessa forma, a aliança entre ciência e poesia em busca da transformação necessária para a superação dos problemas sociais e ambientais existentes. Tradicionalmente, ciência e poesia são segregadas no pensamento da modernidade, impossibilitando a comunhão entre elas, fator que contribui para que a objetividade seja totalmente desvinculada da subjetividade, reforçando a assimetria existente entre os seres humanos e contribuindo para com a desigualdade e a exclusão. Neste sentido, com ênfase na cartografia do imaginário de Michèle Sato, metodologia adotada na construção do caminho epistemológico da pesquisa, consideramos os elementos bachelardianos como substratos fenomenológicos de investigação: a água compreendida como formação, metáfora à nossa constituição original, a gênese do desejo que dará as possibilidades da viagem científica; a terra enfatizando a deformação, lugar metafórico para vencer os obstáculos epistemológicos, num movimento de “reaprender a aprender”; o fogo evidenciando a transformação, em busca da mudança desejada, num processo constante de busca, de envolvimento e engajamento; e o AR, almejando a renovação, metaforizando o repouso, o reencantamento da pesquisa, para que um novo ciclo tenha início. Primamos pela construção de um estudo que possa contribuir para a compreensão das questões ambientais, a fim de esboçar um mundo que possa aliar a ciência à poesia, na tentativa de compreensão do universo poético-humano.