Título
Representação social de impactos ambientais do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro e as práticas de Educação Ambiental em seu entorno
O presente trabalho procura identificar e compreender como moradores, professores, lideranças comunitárias e ambientalistas, que atuam nas áreas de influência direta da obra de construção da Rodovia Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, representam os impactos ambientais deste. A escolha dos sujeitos parte do potencial de serem os que constituem e difundem representações sociais. O estudo considera que as figuras de pensamento, em particular as metáforas, coordenam e condensam as representações sociais. As metáforas estabelecem as categorias utilizadas pelos membros dos grupos para dizer o que consideram ser o real. Foi empregada análise de documentos, observação dos grupos de discussão no programa de Educação Ambiental do empreendimento e entrevista semiestruturada com os membros dos grupos de moradores, professores e líderes comunitários utilizando pergunta indutora de figuras de pensamento, como: se o Arco Metropolitano fosse um animal, que animal seria? Por quê? As metáforas que surgiram permitiram identificar três categorias em que o Arco é um objeto social representado tanto como indutor de desenvolvimento sustentável, pelos técnicos; destruidor de relações sociais humanas, por moradores e líderes comunitários; e ambíguo, pelos professores e ambientalistas. Para os ambientalistas os impactos negativos são erros do projeto. Os professores, os moradores e os líderes comunitários mantém em comum a percepção que o Arco é destruidor de relações, que de acordo com o contexto social, político, cultural e afetivo, de cada indivíduo pode ser considerado um mal necessário ou desnecessário. No campo de representação o Arco simboliza o desejável desenvolvimento, que implica o sacrifício da população impotente de seu entorno perante a força dos agentes que o constrói.