Título
O ambiente cantado e contado pelos brincantes de coco de roda e ciranda da Paraíba.
Esta pesquisa buscou outros modos de ver e narrar o ambiente. Através de entrevistas, história oral e registros em audiovisual, busquei perceber como o ambiente é contado e cantado por brincantes de duas manifestações populares da Paraíba - o coco de roda e a ciranda. Essa pesquisa tem inspiração nos estudos culturais e utilizo o conceito de pedagogia cultural para considerar uma dimensão ampliada do educativo. Para a realização do trabalho de campo, visitei brincantes pertencentes a comunidades quilombolas, tanto no interior do estado quanto no litoral, áreas urbanas de João Pessoa e as terras indígenas Potiguara. Acompanhei ainda o Projeto Inventário de Cocos como Patrimônio Imaterial Brasileiro, o que me propiciou conhecer e conversar com muitos mestres populares e grupos culturais da Paraíba. E o que existia em comum entre essas pessoas que me levou até elas? Além de serem mestres e brincantes de cultura popular, eram conhecidos como bons cantadores ou contadores de causos. A pergunta que me movia era que histórias eles tinham para contar sobre o ambiente em que viviam e com que canções o representariam. Analisei as letras dos cocos e cirandas que foram cantados, em seus vários aspectos, considerando o contexto da brincadeira em que estão inseridos. Que representações de ambiente estão contidas nessas letras? Através das histórias que registrei, pude perceber a amplitude da noção de ambiente para os meus colaboradores: podia estar se referindo tanto ao local em que vivem e realizam suas atividades cotidianas, povoado por animais e plantas ou ainda um ambiente encantado, povoado por seres fantásticos - Comadre Fulozinha, Pai do Mangue, Mãe D'água. Assim, foi se desvelando diante de mim, através de causos e cantos, um ambiente vazado, impossível de ser apreendido.