Título
Educação ambiental para gestão de bacias hidrográficas: a atuação da Itaipu binacional na Bacia Paraná 3 estado do Paraná
A gestão de bacias hidrográficas vem, a cada dia, consolidando uma visão sistêmica e colaborativa no uso e cuidado com a água num determinado território. Essa visão é perceptível nos 28 municípios que compõem a Bacia Paraná 3, localizada no oeste do estado do Paraná, e que conta com a presença da usina hidrelétrica de Itaipu. A partir de 2003 a empresa passou por um processo de revisão institucional, colocando-se a serviço do desenvolvimento regional e alinhando-se às políticas federais, bem como revendo os processos ambientais regionais que impactam diretamente na produção de energia. Nesse sentido, destaca-se o alinhamento da região em duas frentes de políticas públicas: a de educação ambiental e a de gestão de bacias hidrográficas. No que se refere à Política Nacional de Educação Ambiental, percebe-se que a região foi palco do enraizamento de programas idealizados pelos Ministérios do Meio Ambiente e da Educação, estimulando a consolidação de uma região ciente de seus direitos e deveres, além da percepção da necessidade de uma participação ativa e consciente. Já em relação à gestão de bacias hidrográficas, percebe-se que as novas diretrizes de ordenamento e planejamento territorial levam a ampliação da atuação de 15 municípios lindeiros ao Lago de Itaipu para 28 municípios da Bacia Paraná 3, bem como a necessidade de atuar na região que afeta diretamente na atividade produtiva da Itaipu. Ao falar do elemento participação, cabe destacar o papel fundamental que a Educação Ambiental tem nesse processo, visto que um dos pontos elementares de sua prática é possibilitar que todos os envolvidos tenham acesso às informações e possam dialogar e construir propostas coletivas de atuação em seus territórios. Ao abordar a Educação Ambiental para a gestão de bacias hidrográficas é importante ter claro que a presente tese não pretende criar um corpo de conhecimentos específicos para essa área, nem tampouco desenvolver uma metodologia para servir de subsídio para o desenvolvimento de programas ou ações nas diversas bacias hidrográficas do Brasil, mas sim entender como essa ação aconteceu na Bacia Paraná 3 e como a Educação Ambiental esteve presente nesse processo. Um dos pontos fundamentais identificados é a aceitação regional que a ação proposta pela Itaipu teve. Com uma visão regional e entendendo a importância da participação, a empresa conseguiu criar espaço para o diálogo de saberes, chamando envolvidos e usuários para essa empreita, identificando problemáticas, elaborando propostas e, o mais importante, chamando para que cada um assumisse o papel que lhe cabe na gestão de recursos hídricos, bem como atuando na manutenção dos elementos que garantem a quantidade e qualidade da água para a produção da usina. Com um forte papel articulador, em virtude da atuação histórica junto à região e o envolvimento financeiro dos municípios com a empresa, a Itaipu conseguiu desenvolver programas que atendessem diversas necessidades locais, sempre buscando articular com políticas públicas do governo federal as necessidade regionais e da empresa. Essa participação efetiva só se tornou possível com um trabalho forte de Educação Ambiental não apenas com foco escolar, mas principalmente junto às comunidades. Essa EA trabalhada pela Itaipu, trouxe consigo elementos que servem como norteadores internacionais na prática de EA, como a Carta da Terra e as Metas do Milênio.