Título

Percepção ambiental: uma análise a partir de histórias de professores residentes nas imediações do Rio Morto - Tubarão, Santa Catarina

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Rafael Nunes Braga
Nome do(a) orientador(a)
Fatima Elizabeti Marcomin
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2011
Dependência Administrativa
Privada
Resumo

O presente trabalho analisa a percepção ambiental dos professores atuantes nas escolas que se localizam nas proximidades do “Rio Morto” Tubarão –Santa Catarina, e residentes nessa área, quanto a importância social, econômica e ambiental desse recurso, assim como avalia os vínculos afetivos estabelecidos com ele, visando subsidiar futuros programas de Educação Ambiental, em âmbito formal. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de cunho fenomenológico de acordo com Moreira (2004). Foram entrevistadas cinco professoras de ensino fundamental da rede pública de ensino. A análise da percepção ambiental foi realizada a partir de fragmentos das histórias de professoras atuantes em escolas que são cortadas pelo “Rio Morto ”e que, necessariamente, também sejam moradoras dessas comunidades. A análise dos dados se deu por meio da identificação de categorias emergentes com base em Moraes (2005), observando-se aspectos levantados por Sauvé (1995), Hart (2005) e outros. Diversos autores (NEINMAN, 2008; HART, 2005; MOREIRA, 2004; TEIXEIRA, 2003; KRAMER e SOUZA, 1996; MINAYO, 1996; THOMPSON, 1992) relatam sobre a utilização das histórias das pessoas nas investigações sociais. Para analisar a história dessas professoras, foram criados critérios de identificação. Ao analisar história contada por elas, percebe-se que o “Rio Morto” teve influência nas vidas de várias delas. Quanto ao vínculo afetivo, predominou a não existência dele, atualmente. No presente estudo, parece haver uma tênue linha entre o afeto gerado pela natureza, enquanto “natureza”, e o afeto gerado pela natureza, como recurso. Considerando o valor atruido ao rio, predomina o valor emocional e econômico. Quanto à representação do ambiente (SAUVÉ, 2005, 1996), o rio representa um recurso a ser utilizado pela população humana. Quando descrevem o ambiente do “Rio Morto”, indicam elementos como: a água, a margem do rio, a vegetação ciliar, a árvores, os animais. Com relação à representação social, a partir de Reigota (1995, 2001) predomina uma representação "antropocentrista", e na visão de Tamaio (2000) "utilitarista". Fatores sociais, políticos e culturais são apontados como fatores que favorecem e dificultam a mobilização. Como dificuldade à esta, reforçam o individualismo. Constata-se a partir da presente pesquisa que um processo de Educação Ambiental, nessas comunidades, deve enfocar questões de ordem socioeconômicas; aspectos pertinentes ao processo de informação e construção de conhecimentos a respeito do ecossistema local; a identificação de agentes sociais na própria comunidade capazes de atuarem como educadores ambientais; a formação de agentes multiplicadores de Educação Ambiental; a clarificação de conceitos e ainda uma educação carregada de valor, de sentimento e de uma relação de cumplicidade com o outro. Nesta direção, recomenda-se: um processo de Educação Ambiental que englobe alunos, professores e moradores das comunidades, que favoreça o estabelecimento de uma relação homem/natureza, íntegra e indissociável; que o ambiente do “Rio Morto” possa ser e compreendido por todos, quer do ponto de vista biológico, quer como elemento da paisagem e de vital importância para o ecossistema local/regional, como também de inter-relação social. Além disso, por se tratar de professoras da rede pública de ensino, é fundamental também que a esfera pública se comprometa com processos de formação continuada com vistas à formação de sujeitos comprometidos com as questões socioambientais e com o desenvolvimento de sociedades sustentáveis. Sugere-se, no âmbito da academia, estudos junto a professoras, dentro da temática da Educação Ambiental, bem como a elaboração de projetos educativos com vistas à sua implantação e comprometida com a construção de sociedades sustentáveis.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Data de Classificação:
23/06/2015