Título
Percepção ambiental como instrumento para ações educativas e políticas públicas: o caso do pico do Jabre, Paraíba, Brasil.
Pesquisas com percepção ambiental vêm se multiplicando e conseguindo reconhecimento científico, porém, ainda são necessárias metodologias para trabalhar a construção de conhecimentos que facilitem o gerenciamento sustentável nas áreas de conservação pela comunidade do entorno. Nesse sentido, a Educação Ambiental surge como suporte metodológico para aumentar a percepção do ambiente local, e ainda como proposta educativa do sistema de ensino formal ao informal, instrumento capaz de construir conhecimentos que propiciem o planejamento e o manejo destas áreas com metodologias que favoreçam a participação e envolvimento da comunidade. Partindo desse pressuposto, o objetivo desse estudo foi investigar a percepção ambiental de alunos, professores e comunidade do entorno em relação ao pico do Jabre, no intuito de instrumentalizar ações educativas e políticas ambientais que propiciem maior envolvimento da população na conservação e preservação desse ambiente natural. A pesquisa foi realizada nos municípios de Teixeira e Maturéia, estado da Paraíba. A coleta de dados foi realizada em escolas públicas instaladas nesses municípios, como também na comunidade localizada na via de acesso ao pico, no período de junho a agosto de 2011. Participaram da pesquisa 153 alunos, representando as três séries do ensino médio e 13 professores, sendo 71 alunos e 4 professores, da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Antônio Moacir Dantas Cavalcanti, localizada a 6,3 km do pico do Jabre, no município de Maturéia e 82 alunos e 9 professores da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Sebastião Guedes da Silva, localizada no município de Teixeira a 20,5 km do pico do Jabre. Além desse público, trabalhamos com 12 moradores da comunidade rural do entorno. A aplicação dos questionários nas escolas e entrevistas na comunidade objetivou analisar os significados das atitudes e das valorações ambientais da população pesquisada. Os resultados apontam os principais problemas ambientais, sendo o lixo (52,2%) o problema mais citado, principalmente deixado pelos visitantes e, em seguida, vem os demais problemas como a caça e a pichação das pedras (14,6%), queimadas (10,7%) e desmatamento (8,4%). É provável que esses problemas relatados sejam devido à falta de administração e pela visitação desordenada, uma vez que não há planejamento algum para o desenvolvimento da atividade turística naquele ambiente. Há necessidade da implantação de uma administração que desenvolva projetos para recuperação dos bens físicos e preservação da área que se encontram abandonados, no sentido de planejar e ordenar as visitações utilizando como ferramenta de gestão a Educação Ambiental.