Título
A caminhada solitária da comunidade Ceval e a educação ambiental ecomunitarista Pelotas/RS período 2006/2011
Este trabalho de tese teve por fim analisar a situação social e infraestrutural da comunidade Ceval na cidade de Pelotas/RS, à luz da teoria ecomunitária, proposta por Velasco. No ano de 2005, a Universidade Católica de Pelotas deu por encerrado o projeto denominado Ecomunitarismo, desenvolvido junto à comunidade Ceval, a qual vivia, à época, às margens do canal Santa Bárbara em condição de lumpesinato. Nosso problema de tese consistia em saber como se comportou a comunidade Ceval no período compreendido entre os anos de 2006 e 2011, no que tange à maneira de como foi capaz de se articular para concretizar suas necessidades comunitárias. Partimos da hipótese de que a Comunidade Ceval conseguiu manter-se unida, lutando por seus interesses comunitários e praticando alguns preceitos do ecomunitarismo, mesmo que empiricamente. Este trabalho de tese objetivou, assim, investigar a realidade desta comunidade, seu desenvolvimento social e humano à luz do ecomunitarismo, no referido período, ou seja, após o encerramento do projeto Ecomunitário da Ucpel. A metodologia utilizada partiu da construção de uma base teórica referente ao Ecomunitarismo, na qual estão expostas suas três normas da ética. Verificamos, a partir dessa base teórica, as ações realizadas pela comunidade Ceval, constatando, por conseguinte, quais as atuais condições de infraestrutura e condições sociais da mesma. Para levantamento dos dados, foram realizadas entrevistas – a partir de um questionário previamente elaborado – com seis pessoas, todas moradoras da comunidade, sendo elas: dois líderes comunitários, duas trabalhadoras da cooperativa Ceval e duas donas de casa. As entrevistas foram realizadas no ano de 2011. Verificamos, após a investigação, que a comunidade Ceval conseguiu, apesar das dificuldades enfrentadas, obter conquistas importantes ao longo do período estudado, como moradias, água, luz e esgoto. Conseguiram, também, a construção de seu centro comunitário e a concretização de sua cooperativa de reciclagem. Concluímos, dessa forma, que mesmo diante das vicissitudes, a comunidade conseguiu manter-se unida e lutando por seus interesses. Constatamos, outrossim, que a Ucpel encerrou precocemente seu projeto, pois a comunidade ainda não estava pronta para sua caminhada solo. A falta do aporte teórico da Educação Ambiental ecomunitária, que se fazia a tônica do projeto da Ucpel, impediu que a comunidade conseguisse desenvolver a prática consciente das três normas da ética, base do ecomunitarismo – tendo tal prática sido encontrada apenas empírica e embrionariamente na cooperativa de reciclagem –, e, consequentemente, da ordem socioambiental ecomunitária, perfeitamente descrita em Ucronia de Velasco.