Título
Educação ambiental, práticas pedagógicas e autonomia do ensino fundamental
Este estudo objetiva detectar as concepções de educação ambiental e meio ambiente, as práticas pedagógicas mais comuns e verificar se os tipos de linguagens, expressam o agir autônomo (dialógico, cooperativo) ou o agir heterônomo (anti-dialógico, não cooperativo). Nossa intenção é que esse trabalho, possa servir como referência para diferentes unidades escolares, no sentido de repensarem sobre suas práxis e a importância da implementação da temática ambiental numa abordagem contextualizada, interdisciplinar de ações comunicativas, que possibilite a formação de indivíduos críticos, reflexivos, em harmonia com a natureza e autônomos. A pesquisa foi realizada em uma escola municipal que atende alunos do ensino fundamental em Vitória da Conquista-BA. Utilizamos o método descritivo e as abordagens qualitativa e quantitativa; dividindo em pesquisa bibliográfica, análise de documentos e duas etapas da pesquisa de campo, sendo que na primeira etapa, utilizou-se formulários e na segunda, entrevistas gravadas para a análise de conteúdos expressos em falas. Procuramos ouvir alunos do 6º e do 9º anos, professores, coordenadores pedagógicos, diretores e pessoas da comunidade. Os resultados nos permitiram observar que alguns professores, principalmente os das disciplinas Ciências e Geografia, utilizavam práticas pedagógicas ambientalistas e que a percepção de educação ambiental dos alunos do 6º ano é desenvolvimentista e a visão de meio ambiente é naturalista. Já os alunos do 9º ano (egressos), possuem a concepção crítica de educação ambiental e visão antropocêntrica de meio ambiente. Os professores, coordenadores pedagógicos e os diretores possuem a concepção de EA crítica.Verificamos dois tipos de linguagens, sendo que a maioria caracterizava o agir autônomo e intersubjetivo, marcada por expressões de busca de vínculos comunicativos e recíprocos entre a escola e a comunidade do entorno; algumas linguagens caracterizavam o agir heterônomo, anti-dialógico marcada pela falta de interesse pelo coletivo e preocupada apenas com os seus próprios interesses. Muitos alunos reconhecem que os professores incentivam o diálogo na sala de aula, deixando-os à vontade para opinar. Com base nos levantamentos citados, foi possível detectar a necessidade de abordagens das questões ambientais de forma crítica, reflexiva, contextualizada, interdisciplinar e comunicativa.