Título
Percepção de diferentes atores sociais sobre os impactos causados pelos desvios de esgotos sanitários em Campina Grande-PB: uma contribuição a ações sustentáveis em saneamento
A falta de investimentos em sistemas de esgotamento sanitários e na sua manutenção tem como consequência a depreciação das unidades existentes, o sucateamento dos equipamentos instalados, vulnerabilidade operacional do sistema e o desvio de esgotos sanitários ao longo do seu percurso: do emissário a Estação de Tratamento de Esgotos- ETE. O objetivo deste trabalho foi avaliar a percepção de diferentes atores sociais dos impactos causados pelos desvios de esgotos sanitários dos emissários até a estação de tratamento em Campina Grande-PB. A pesquisa foi realizada de março de 2009 a dezembro de 2010, com cinco categorias; funcionários da Cagepa - Companhia de Água e Esgoto da Paraíba, professores pesquisadores de duas universidades públicas, agentes comunitários de saúde, professores da rede estadual e municipal e atores sociais da comunidade da Catingueira. Os dados foram coletados através de entrevistas semi-estruturada, observação participante e aplicação de estratégias de sensibilização: apresentação e discussão do projeto, realização de seminário, apresentação e discussão dos resultados obtidos, exposição de fotos dos desvios de esgotos e realização de seminários. Para análise dos dados foi utilizada a triangulação, a qual consistiu de análise qualitativa e quantitativa. Constatou-se que ao longo dos emissários e interceptores há intervenção por parte dos moradores próximo à ETE, provocando o uso dos esgotos <i>in natura</i>, principalmente para irrigação, causando diversos impactos socioambientais, dentre os quais: poluição, contaminação, riscos à saúde ambiental e humana. Os atores sociais da Cagepa que fizeram parte desta pesquisa reconhecem que existe esta prática (100%), e mostraram-se preocupados quanto aos desvios e aos impactos. A maioria dos especialistas em recursos hídricos e saneamento investigada apresentou conhecimento dos desvios de esgotos (58%) e expressou preocupação, com uso de esgotos sem tratamento, devido às possibilidades de poluição e contaminação. As famílias estudadas (73%), os professores (60%) e os agentes comunitários de saúde (55,6%) também sabem da existência dos desvios de esgotos, embora sejam omissos ao problema, por não perceberem os danos acarretados ao meio ambiente e ao ser humano. Dentre as estratégias delineadas em educação ambiental, destacaram-se: exposição do projeto à comunidade; realização de seminários e apresentação dos resultados referentes ao diagnóstico socioambiental aos atores sociais envolvidos na pesquisa. As estratégias aplicadas motivaram reflexão a respeito da problemática estudada e impulsionou busca de soluções, especialmente por parte da Cagepa, porém não propiciou mudanças significativas, uma vez que a problemática requer implantação de políticas públicas voltadas à manutenção do sistema de esgotamento sanitário, fiscalização e criação de programas de educação ambiental nas modalidades formais e não formais.