Título
Preservação de nascentes como instrumento de gestão do território: uma analise das nascentes do igarapé do Mindu-Manaus-Amazonas
Pensar ações que possibilitem o desenvolvimento de políticas públicas para a proteção de nascentes, em áreas urbanas, deve se tornar realidade à medida que a comunidade e o poder público consigam articular-se. Neste sentido, a dissertação intitulada "Preservação de nascentes como instrumento de gestão do território: uma análise das nascentes do igarapé do Mindu - Manaus/Amazonas teve como objetivo analisar os impactos provocados na área de preservação permanente do Parque das Nascentes, tendo por base os instrumentos de gestão ambiental participativa e as territorialidades do lugar. Para isso, procurou-se: caracterizar as unidades geoambentais do Parque das Nascentes do Mindu; identificar as (re)territorialidades existentes no lugar, bem como a relação dos moradores com a nascente; analisar os instrumentos de gestão ambiental na proposta do Parque das Nascentes utilizando a gestão participativa e a educação ambiental; e relacionar e qualificar os conflitos existentes na área e os principais fatores associados à ocupação antrópica que contribuem para os impactos ambientais. A análise dos dados foi baseada nos objetivos propostos e organizadas em três eixos: relações de conflitos e (re)territorialidades no Parque das Nascentes do Mindu; conservação das unidades geoambientais no Parque e a influência do entorno; e educação ambiental como instrumento de gestão participativa do Parque. Garantir a preservação das nascentes do igarapé do Mindu se constitui num desafio, visto que toda a bacia do Mindu ocupa uma extensa área e encontra-se densamente ocupada, pois desde suas principais nascentes, nos bairros Cidade de Deus e Jorge Teixeira, o igarapé do Mindu drena dezenas de bairros das zonas norte, leste e centro sul da cidade. A criação do Parque Municipal das Nascentes do Mindu, em 2006, apresenta-se como alternativa para preservar a mata ciliar de duas nascentes do Mindu, as quais ainda se encontram dentro de um fragmento florestal de 16 hectares, entre os bairros Cidade de Deus e Jorge Teixeira. No entanto, seus objetivos ainda não são claros para a comunidade do entorno, que constantemente adentra a área e utiliza os recursos naturais sem conhecer, e consequentemente atender às normas legais estabelecidas para áreas de preservação permanente. A reorganização do território, com definição de regras, pelo Estado sob a perspectiva de se preservar os recursos naturais limita o acesso das comunidades locais, as quais estavam habituadas a uma rotina. Apesar dessa nova organização do território e com algumas restrições, as pessoas continuam vivenciando o lugar, considerando as relações afetivas, de identidade e de pertencimento que desenvolveram com o lugar.