Título
Conhecimento ecológico tradicional sobre aves para a gestão do ecoturismo no Parque Nacional do Pantanal Matogrossense
Esta pesquisa teve como objetivo investigar o conhecimento ecológico tradicional (CET) sobre aves das comunidades da Barra de São Lourenço e Amolar, que vivem no entorno do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense-Brasil, para o desenvolvimento do ecoturismo participativo. O desenvolvimento do ecoturismo está previsto no plano de manejo da unidade de conservação, elaborado em 2003. O parque nacional está localizado em Poconé, numa área de fronteira entre os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bolívia. As duas comunidades são formadas por pessoas que nasceram e cresceram na região. Enquanto, na Barra de São Lourenço, 19 famílias vivem da coleta de iscas vivas e pesca profissional, resultando em menos de um salário mensal para a maioria delas, com característica de mobilidade física e nenhum documento de posse da terra, o Amolar é formado por apenas quatro famílias que vivem da pecuária, agricultura, extrativismo, caça e pesca de subsistência em sítios devidamente documentados. Assim, o delineamento desta pesquisa teve como base o conceito de domínio cultural, por meio de entrevistas estruturadas e parcialmente estruturadas para obtenção da lista livre, classificação em pilhas, dados sócio-econômicos, informações sobre os locais de fácil localização das aves e construção da rede social. Para análise da lista livre e de consenso foi utilizado o programa estatístico Anthropac 4.0. A observação participante também se constituiu como um método para coleta de dados. Dessa forma, olhando, ouvindo e participando dos acontecimentos, compreendemos o cotidiano da vida social estabelecido numa comunidade e o processo de transmissão de conhecimento. A análise da lista livre mostrou que o domínio cultural das espécies de aves está concentrado em 109 etnoespécies. A análise de consenso cultural mostrou que, o CET sobre aves, concentra-se em 13 etnoespécies: tuiuiú, joão-pinto, biguá, cardeal, baguari, bem-te-vi, garça-grande, jacutinga, arancuã, mutum, papagaio, colhereiro e marreca. As etnoespécies foram classificadas quanto ao lugar em que vivem: aterro, baías, cerrado, brejo, beira de rio, morraria e campo. É relevante explicitar que o alvo é fornecer indicadores para as estratégias de gestão do ecoturismo participativo. Os resultados esperados caminham na direção da valorização do CET das comunidades e sua inclusão no desenvolvimento do ecoturismo - observação de aves - atuando como condutores de turistas no parque, sendo, portanto, o ecoturismo entendido como uma prática que promove a interação entre comunidade e natureza com vistas à conservação da unidade de conservação.