Título
Contribuições epistemológicas/metodológicas para o fortalecimento de uma (cons)ciência emancipadora
O paradigma hegemônico de ciência, apesar de suas inquestionáveis contribuições à sociedade, encontra-se em meio a uma descrença ética e epistemológica crescente. Fruto de uma racionalidade que desprezou uma reflexão ontológica sobre sua práxis, contribuiu para criar novos e complexos problemas, colocando em risco a própria sobrevivência da humanidade. Na atual configuração social, temos problemas modernos para os quais não dispomos de soluções modernas. Tal situação tenciona para a construção de uma nova forma de produção de conhecimentos, capaz de dar resolutividade às questões que a própria ciência moderna contribuiu para engendrar. Objetivou-se uma análise na dimensão praxiológica dos pressupostos teórico-metodológicos e sociopolíticos da pesquisa. Estudo epidemiológico da população do baixo Jaguaribe exposta a contaminação ambiental em área de uso de agrotóxicos. Utilizou-se o estudo de caso como método, precedido do uso de grupo focal, entrevista em profundidade e entrevista semiestruturada como técnica. Para a análise do material qualitativo adotou-se a análise de discurso em conformidade com os pressupostos da Hermenêutica de Profundidade. Em meio à descrença epistemológica que desponta no horizonte do paradigma moderno, encontra-se a oportunidade para repensar novas práticas de atuação no processo de construção do conhecimento. Dessa forma, esse estudo buscou superar os modos simplificadores de compreensão do real a partir da conjugação de aportes epistêmicos complexos. Fez-se, portanto, transdisciplinar, ao tempo em que objetivou compreender os fenômenos em suas múltiplas acepções. Refutou a falsa neutralidade axiológica que historicamente favoreceu os interesses das classes hegemônicas, contribuindo para ampliar as desigualdades sociais. Preocupou-se com a destinação social do conhecimento que produziu, posicionando-se politicamente em favor das classes menos favorecidas. Nesse sentido, tinha no horizonte a elaboração de um conhecimento científico capaz de comungar com o saber popular, de forma horizontal e fraterna. Assumiu o compromisso de manter o permanente diálogo entre a pesquisa e os atores sociais dos territórios investigados, alimentando os processos de luta e resistência desses sujeitos. Assim, utilizou o conhecimento científico em favor da contra hegemonia no intuito de dar voz às experiências invisibilizadas pelo paradigma hegemônico de ciência. Faz-se presente a necessidade de elaboração de novos processos de trabalho em pesquisa, capazes de incorporar a dimensão da subjetividade e da incerteza. Capaz de reconhecer na incompletude do saber científico, a conjuntura favorável para a tessitura de novas relações com os saberes camponeses, indígenas e tradicionais.