Título

Controle de zoonoses: estudo sobre práticas e recursos educativos voltados ao manejo da população canina

Programa Pós-graduação
Saúde Pública
Nome do(a) autor(a)
Livia Dos Santos Fraga
Nome do(a) orientador(a)
Simone Souza Monteiro
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2012
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Embora o convívio com animais de estimação gere benefícios à saúde humana, os desequilíbrios nesta relação e o excedente populacional de cães podem facilitar a ocorrência de problemas de saúde, em virtude do envolvimento dos animais na cadeia de transmissão de doenças, casos de agressões, acidentes de trânsito e impactos ambientais. A revisão das diretrizes dos programas governamentais de controle de zoonoses e manejo da população canina desde a década 1980 revela avanços, mas a operacionalização das mesmas no âmbito estadual e municipal depende de fatores socioambientais, institucionais e epidemiológicos. Com intuito de contribuir com as reflexões acerca do tema, o presente estudo analisou as práticas educativas de agentes de combate a endemias (ACE) de um serviço de controle de zoonoses em Belo Horizonte. A partir de abordagem qualitativa, foram caracterizados o contexto socioeconômico e ambiental do território, a ocorrência de zoonoses e a estrutura de funcionamento do serviço a partir de análise de documentos oficiais, de observação participante da rotina de trabalho dos ACE entre maio e julho/2012 e de entrevistas com 16 ACE e dois coordenadores do serviço. Apesar de o discurso institucional ratificar a centralidade do papel educativo dos ACE, a falta de investimento na formação dos agentes, a organização do serviço em torno de agravos e o modelo de gerenciamento pautado em indicadores de produtividade limitam as atividades educativas dos ACE. As orientações aos moradores durante as visitas domiciliares são norteadas por uma concepção normativa daeducação em saúde associada ao modelo biomédico hegemônico, caracterizadas pela transmissão de informações técnico-científicas e pelo controle de focos e criadouros de vetores e reservatórios de zoonoses, não sendo valorizados o conhecimento e as lógicas populares; e as implicações socioeconômicas no desenvolvimento de doenças. A revisão da forma de organização do serviço e os investimentos na formação dos ACE, centrados na multideterminações do processo saúde-doença, nos fundamentos educacionais dialógicos e participativos e na importância do contexto socioeconômico e ambiental no controle das zoonoses, podem contribuir para o entendimento das dificuldades e resistências populares ao discurso técnico científico e para a revisão das atividades educativas desenvolvidas pelos ACE.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
18/06/2015