Título
Estudo da percepção ambiental em torno das entidades gestoras e dos sujeitos envolvidos com políticas e programas de interesse público para o desenvolvimento rural sustentável da bacia do rio Corumbataí
Inscrito no projeto de pesquisa "Políticas públicas de ordenamento territorial", no âmbito do temático "Mudanças socioambientais no estado de São Paulo: perspectivas para a conservação" (apoiado pelo Biota/Fapesp), este trabalho visa explorar formas de análise da percepção ambiental com base na teoria do processo civilizador de Norbert Elias, no conceito de habitus de Bourdieu e na teoria da sociedade de risco do sociólogo alemão Ulrich Beck. Trata-se de uma análise dos discursos de atores envolvidos com as temáticas do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável no âmbito da APA Corumbataí, no estado de São Paulo. Esta última passa por um processo de revigoramento com a implantação do seu conselho gestor e da elaboração de seu plano de manejo. A pesquisa foi desenvolvida em parceria com a Fundação Florestal através de observação participativa das reuniões do conselho gestor da APA Corumbataí, de análise de elementos obtidos com o apoio de questionário e de entrevistas com conselheiros. Nesta perspectiva, os diferentes olhares destes últimos são examinados em nosso estudo das políticas públicas em torno do ordenamento territorial. Constata-se que existe no discurso dos membros do conselho gestor uma grande preocupação com a preservação e utilização dos recursos naturais da APA em estudo. No grupo considerado, a percepção dos riscos ligados a uma exploração desastrosa destes recursos permite considerar a pertinência da tese da modernidade reflexiva. Foi possível identificar posturas mais críticas em relação as percepções de conservação do território da APA e estas diferentes posturas refletem nos apontamentos sobre a participação social e os problemas enfrentados dentro do território. A visão produtivista, em especial á da agricultura predominante no território, se apresenta como um resultado histórico da região e também devido aos problemas de planejamento não tão adequados para o uso e ocupação do solo. A preocupação ambiental nesse sentido é relevante uma vez que muitos entendem que a qualidade ambiental da APA determina a qualidade de vida da população residente principalmente no que tange a utilização dos recursos hídricos do território. A participação da população residente é baixa, porém uma mobilização é prevista no termos de referência para o plano de manejo, visando a educação e informação desta população. As perspectivas são positivas e espera-se que em breve o ordenamento deste território seja pautado nos aspectos pertinentes ao desenvolvimento sustentável.