Título

Entre lutas, porungas e letras: a escola do Seringal- (RE) colocações do projeto seringueiro (1981/1990)

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Jose Dourado de Souza
Nome do(a) orientador(a)
Inês Assunção Teixeira Gomes
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2011
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Este trabalho analisa uma experiência de educação com seringueiros da região de Xapuri/Acre, parte da Amazônia Sul-Ocidental, sob a denominação de Projeto Seringueiro. Tal experiência, concebida numa perspectiva de educação popular, influenciada pelas ideias e práticas de Paulo Freire, da Teologia da Libertação e de um sindicalismo rural brasileiro, associado à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) no Acre, integra o movimento social, ambiental e de luta pela terra. O estudo procurou analisar as circunstâncias e contextos sociohistóricos da emergência e realização deste projeto educativo, erigido no interior do Projeto Seringueiro, focalizando seu primeiro período, transcorrido entre 1981 e 1990. Explora alguns dos traçados mais gerais de sua estrutura e funcionamento, suas raízes e troncos. Apresenta e caracteriza, em especial, os atores sociais, individuais e coletivos envolvidos na proposta, indicando alguns de seus protagonismos, de suas relações, convergências e divergências, neste primeiro período, quando pela estrada do Projeto Seringueiro, a escola vai ao seringal, outras colocações. As bases teórico-metodológicas da pesquisa orientam-se por um aporte sociohistórico, nos marcos da história social inglesa, sobretudo no pensamento de Edward P. Thompson. Neste sentido, enfatiza que o trabalho no campo da história deve considerar as articulações entre as dimensões e contradições da realidade, em seus processos e dinâmicas, e que o enfrentamento entre ser social e consciência social faz surgir novos problemas, dando origem à experiência. O desenho metodológico da investigação baseou-se na análise documental, realizada mediante o levantamento e estudo de documentos de arquivos, do Centro dos Trabalhadores da Amazônia (CTA), prioritariamente. As descobertas da pesquisa revelam um processo eivado de continuidades e descontinuidades, de buscas e conquistas, fruto dos protagonismos de seus atores, no qual a necessidade de aprender a ler, escrever e contar foi sendo apropriada. As estradas da escola, como as do seringal, foram se alumiando pela poronga que clareia a mata e, agora, clareia as ideias, quando transformada em cartilha escolar, no entendimento de seus seringueiros alunos e alunas. Procurou-se, pois, compreender os veios pelo quais aquele projeto educativo leva a escola ao seringal, reinventada, conquistada entre lutas, porongas e letras. A pesquisa orientou-se, em suma, por uma concepção que busca desvendar os elementos e dinâmica dos processos construídos pela ação dos atores sociais neles implicados, atenta à ação coletiva e ao dinamismo da práxis transformadora dos homens como agentes históricos.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
30/12/2069