Título
Desafios da Educacao Ambiental emancipatoria em escolas públicas de Mossoró/RN
Este artigo trata de uma pesquisa realizada na rede pública de ensino básico no município de Mossoró-RN, abrangendo o ensino fundamental I com o objetivo de analisar a dinâmica do processo pedagógico das escolas quanto ao desenvolvimento da educação ambiental. A análise do processo pedagógico abrangeu três dimensões: o projeto político-pedagógico, o currículo e a prática pedagógica. Para tanto, foi caracterizado o projeto político-pedagógico; se e como o currículo trata às questões socioambientais; identificamos as características da prática e as percepções dos educadores sobre noções constituintes da educação ambiental. A definição do conceito de educação ambiental foi contextualizada a partir de um breve histórico sobre seu surgimento, passando pelos eventos que marcam sua construção até os debates sobre seus sentidos identitários como, por exemplo, a educação ambiental conservadora e a crítica. O contorno metodológico foi delineado à luz dos aportes teóricos da educação ambiental crítica, da ecologia política e da teoria da complexidade. Os resultados da análise indicam que à medida que o processo pedagógico caminha, partindo do projeto-político-pedagógico, passando pelo currículo à prática, a inserção dos princípios da educação ambiental crítica vão diminuindo percentualmente, fragilizando seu potencial transformador e emancipatório. A interpretação dos dados nos leva a compreender que as escolas estão tentando se transformar, mas o processo é longo, difícil, cheio de condicionamentos e de limitações que elas não conseguem controlar totalmente, ou seja, exercem uma transformação parcial, embora outras hipóteses de trabalho levantadas não possam ser desconsideradas totalmente. Os desafios para inserção dos princípios da educação ambiental crítica nas dimensões do processo pedagógico, tanto no discurso quanto na prática, giram em torno da necessidade de problematizar/refletir/politizar conceitos fundamentais como os de educação, interdisciplinaridade, participação social, democracia, autonomia, sociedade e natureza. Estes desafios são algumas das barreiras para construir relações equilibradas entre sociedade e natureza.